Regalias em Presídio de Manaus: Policiais Militares Presos Usufruíam de Liberdade Quase Total

Uma chocante investigação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) veio à tona, desvendando uma rotina de privilégios inimagináveis dentro de um núcleo prisional em Manaus. A unidade, destinada a abrigar policiais militares acusados de crimes graves, operava com uma liberdade quase irrestrita, permitindo que detentos circulassem dentro e fora de suas dependências como se estivessem em uma colônia de férias.

As descobertas apontam para falhas graves na custódia e fiscalização, abrindo espaço para que os presos, mesmo respondendo por delitos como homicídio, tráfico de drogas e estupro, usufruíssem de regalias absurdas. A situação é tão alarmante que um dos detentos, o sargento Douglas Napoleão, condenado por tráfico ilegal de armas, chegou a comparar a experiência com sua companheira a “uma espécie de férias”, conforme mensagens encontradas em seu celular.

Essas revelações, divulgadas pelo g1, indicam que a estrutura do local, que nunca foi projetado para ser uma unidade prisional, contribuiu significativamente para a disfuncionalidade e a falta de controle. Diante do exposto, o governo do estado agiu para desativar o núcleo, transferindo os presos para uma unidade com estrutura mais adequada, medida que gerou protestos de familiares, mas que visa restabelecer a ordem e a segurança do sistema prisional.

Liberdade Ilimitada e Atividades de Lazer Fora das Grades

A investigação detalhou como os policiais militares presos desfrutavam de uma liberdade impressionante. Relatos e imagens confirmam que os detentos utilizavam até mesmo a quadra de uma escola municipal vizinha para atividades de lazer, reunindo-se semanalmente. Essa prática, segundo a Secretaria Municipal de Educação, ocorria mediante autorização formal e sem contato com os alunos.

Em um dos casos flagrados, um sargento foi visto saindo da unidade com bolas para praticar futebol, evidenciando a falta de rigor na custódia. Outro caso alarmante revelou um PM detido que, mesmo preso, utilizava um celular para anunciar a venda de armas, uma atividade criminosa em pleno exercício dentro do presídio.

Propina para Sair da Prisão: Um Negócio Recorrente

A investigação do Ministério Público apontou ainda para um esquema de corrupção que facilitava as saídas dos detentos. Valores entre R$ 50 e R$ 70 eram pagos como propina por alguns presos para deixar a prisão sem qualquer tipo de controle, uma prática descrita como recorrente pelas autoridades. Essa falha permitia que 71 policiais, respondendo por acusações gravíssimas, circulassem livremente pela cidade.

O comandante da Polícia Militar assegurou que a corporação não compactua com desvios e que providências já foram tomadas, incluindo a troca da direção da unidade e a responsabilização dos envolvidos. A expectativa é que, na nova unidade prisional, os policiais militares cumpram efetivamente as regras do sistema penitenciário, pondo fim à era de privilégios.

Desativação do Núcleo e Transferência dos Detentos

Diante da gravidade das denúncias e da comprovada disfuncionalidade do local, o governo do estado tomou a decisão de desativar o núcleo prisional. Os 71 policiais militares detidos foram transferidos para uma unidade localizada dentro de um complexo prisional, que oferece uma estrutura considerada mais adequada para a custódia de presos.

A mudança, embora tenha gerado protestos de familiares e dos próprios detentos, foi realizada sem a necessidade de uso da força. As autoridades esperam que, no novo ambiente, os policiais militares passem a cumprir integralmente as normas do sistema prisional, cessando as irregularidades que marcaram a permanência na unidade anterior. O Ministério Público classificou o antigo local como “totalmente disfuncional”, incapaz de cumprir seu papel de prisão.