Flávio Bolsonaro se defende sobre financiamento de filme e relação com Daniel Vorcaro, dono do Master

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veio a público para esclarecer sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, que teria financiado o filme “Dark Horse”, uma produção em homenagem ao seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo o senador, a omissão sobre o contato com Vorcaro se deu por uma cláusula de confidencialidade presente no contrato de patrocínio.

A revelação sobre o financiamento milionário, detalhada pelo site The Intercept Brasil, gerou questionamentos e suspeitas, especialmente após um áudio em que Flávio aparece cobrando mais recursos do empresário, a quem chama de “irmão”. O senador negou veementemente que parte da verba tenha sido destinada a despesas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, como levantado pela Polícia Federal.

Em entrevista à Globonews, Flávio Bolsonaro reiterou que sua interação com Daniel Vorcaro foi estritamente ligada à produção cinematográfica. Ele argumentou que, ao ser questionado sobre o contato, a pergunta subsequente seria sobre a natureza dessa relação, o que o obrigaria a expor detalhes do acordo de confidencialidade, algo que ele buscou evitar para honrar o contrato.

Sigilo contratual como justificativa para omissão

Flávio Bolsonaro explicou que, ao afirmar anteriormente que não conhecia Vorcaro, não estava mentindo, mas sim impossibilitado de quebrar o acordo de confidencialidade. Essa postura, contudo, já havia gerado desconfiança entre aliados e membros da direita, conforme noticiado pela Folha. O senador assegura que não haverá novas revelações sobre sua ligação com o ex-banqueiro, afirmando que “não tem absolutamente nada” a ser descoberto.

Conhecimento sobre investigações e cobrança de verba

Questionado sobre ter buscado recursos de um banqueiro investigado, Flávio declarou que, em dezembro de 2024, quando iniciou o contato, “não tinha como saber o que o Brasil não sabia”. Ele continuou a cobrar a verba até a véspera da prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, argumentando que, até aquele momento, o empresário era apenas “acusado” e que ele “torcia para que ele esclarecesse” as pendências.

O senador enfatizou que não é acusado de nada e pediu para que não se misturem “alhos com bugalhos”. Ele reiterou a defesa pela instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e atacou o governo do PT, acusando-o de ter “contatos espúrios” com Vorcaro, algo que ele, segundo afirma, não aceita ser associado.

Destinação dos recursos e papel do advogado de Eduardo Bolsonaro

De acordo com o Intercept, os fundos de Vorcaro para o filme passaram por um fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que toda a verba foi destinada à produção do filme e negou qualquer benefício para seu irmão. Ele explicou que a estrutura para gerenciar o fundo, incluindo questões legais e burocráticas, exigiu a contratação de um advogado de confiança, que também atuou como gestor.

Em nota posterior à entrevista, Flávio reiterou que sua relação com Vorcaro foi estritamente a de um filho buscando patrocínio para um filme em homenagem ao pai. Ele destacou que não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política, mas sim um investimento com expectativa de retorno financeiro. O senador também mencionou que o contato com Vorcaro ocorreu em 2024, quando as irregularidades hoje atribuídas ao ex-banqueiro ainda não eram de conhecimento público, e que Vorcaro circulava normalmente no mercado, inclusive em eventos empresariais internacionais.