Emirados Árabes Unidos buscaram aliança militar contra o Irã, mas vizinhos recusaram
Os Emirados Árabes Unidos tentaram, sem sucesso, convencer países vizinhos, como Arábia Saudita e Catar, a aderirem a uma resposta militar coordenada contra o Irã. A iniciativa partiu do presidente emiradense, Sheikh Mohammed bin Zayed, que realizou diversas ligações a líderes regionais.
A articulação visava uma retaliação conjunta após os ataques iranianos que atingiram nações do Golfo Pérsico por abrigarem bases militares americanas. No entanto, os vizinhos relutaram em se envolver militarmente, temendo associações com Israel.
A frustração emiradense com a recusa de seus parceiros teria levado a um **resfriamento nas relações diplomáticas** e, segundo a Bloomberg, até mesmo à saída dos Emirados da Opep. Apesar da negativa, os EAU decidiram agir unilateralmente, colaborando com os EUA e Israel em ataques secretos contra o Irã.
Esforços de Zayed para uma frente unida falharam
A busca por uma resposta conjunta contra o Irã, segundo a agência Bloomberg, ocorreu no início do conflito no Oriente Médio. Sheikh Mohammed bin Zayed buscou apoio de líderes como o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, logo após os EUA e Israel iniciarem bombardeios contra o Irã em 28 de fevereiro.
Zayed estava convicto da necessidade de uma ação coletiva para **dissuadir o Irã de futuros ataques**. Ele chegou a invocar o Conselho de Cooperação do Golfo, bloco criado em 1981 com o objetivo de unir países da região contra a ameaça iraniana, mas suas tentativas foram infrutíferas.
Vizinhos do Golfo hesitaram em responder militarmente
As nações do Golfo Pérsico se viram arrastadas para o conflito entre EUA, Israel e Irã, sofrendo ataques retaliatórios iranianos. Contudo, a maioria dos países hesitou em responder militarmente, uma vez que **não desejavam ser associados a Israel**, um ponto crucial para a política externa de muitos desses países.
Fontes ouvidas pela Bloomberg indicam que os vizinhos afirmaram que a guerra não lhes dizia respeito diretamente, o que gerou irritação em Zayed. A divergência de opiniões teria culminado em um **piora nas relações diplomáticas** com a Arábia Saudita e a saída dos Emirados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Emirados Árabes agiram sozinhos e realizaram ataques secretos
Mesmo diante da negativa de seus parceiros regionais, o governo emiradense optou por **prosseguir com sua própria resposta contra o Irã**. Rapidamente, os Emirados passaram a trabalhar em conjunto com o governo do então presidente Donald Trump e com Israel.
Como resultado dessa colaboração, os Emirados Árabes Unidos realizaram **ataques secretos contra o Irã** no início de abril. A informação foi revelada pelo jornal norte-americano “The Wall Street Journal”, detalhando a ação unilateral dos EAU após o fracasso em formar uma aliança regional.