Brasileirão Registra Média de Permanência de Treinadores Abaixo de 8 Meses, Revela Estudo Internacional

A instabilidade no comando técnico é uma marca registrada do futebol brasileiro. Um levantamento recente aponta que a média de permanência de técnicos no Campeonato Brasileiro é de apenas 8 meses e 18 dias, posicionando a liga em um cenário global de alta rotatividade.

Essa curta duração no cargo coloca o Brasileirão em uma posição de destaque negativo quando comparado a outras ligas de futebol ao redor do mundo. A pesquisa detalha os índices e aponta as razões por trás dessa constante troca de comandantes.

No entanto, em meio a esse cenário de alta rotatividade, alguns nomes se sobressaem pela longevidade, mostrando que a estabilidade, embora rara, é possível e recompensadora. O estudo do Cies (Centro Internacional de Estudos Esportivos) oferece um panorama completo dessa dinâmica.

Rotatividade Chama Atenção no Futebol Brasileiro

O Campeonato Brasileiro se destaca como a 6ª liga do mundo com o maior número de mudanças de treinadores nos últimos 12 meses. Das 20 equipes participantes, 17 registraram trocas, o que representa impressionantes 85% de rotatividade. Este índice empata com a liga venezuelana em percentual, mas o volume absoluto de mudanças no Brasil é maior devido ao número de clubes.

Conforme o levantamento do Observatório de Futebol do Cies, a média de permanência no cargo é de 8 meses e 18 dias. Essa marca coloca o Brasileirão na 47ª posição entre as 55 ligas analisadas em termos de longevidade média dos treinadores. A constante troca de comandos impacta diretamente o planejamento e a continuidade dos trabalhos nos clubes.

Abel Ferreira e Rogério Ceni: Exceções em Meio à Instabilidade

Em contrapartida à alta rotatividade, o técnico português Abel Ferreira, do Palmeiras, se consolida como uma notável exceção. Ele está no clube desde 30 de outubro de 2021 e, em fevereiro de 2026, entrou para a história como o 5º técnico mais longevo do futebol brasileiro, superando marcas expressivas como a de Telê Santana no São Paulo. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, atribui essa longevidade ao acreditar no planejamento e na continuidade do trabalho.

Outro nome que resiste à dança das cadeiras é Rogério Ceni. Atualmente comandando o Bahia, ele foi anunciado em 9 de setembro de 2023, figurando entre os treinadores com maior tempo de casa na elite nacional. A permanência de Ceni demonstra que, com resultados e um projeto claro, é possível construir uma trajetória mais duradoura.

Extremos da Estabilidade: Do Tempo Recorde aos Recém-Chegados

Na outra ponta da lista, os cinco técnicos com menor tempo de permanência na Série A lideram suas equipes há aproximadamente um mês. A contratação mais recente entre eles é a de Fernando Diniz, que assumiu o Corinthians oficialmente em 6 de abril. Essa rápida substituição evidencia a pressão por resultados imediatos no futebol brasileiro.

O estudo do Cies também compara a rotatividade global de treinadores, que atingiu 65,2% das equipes analisadas no último ano. Ligas como a da Noruega se destacam pela estabilidade, com apenas 18,8% de mudanças e uma permanência média superior a 2,5 anos. A Premier League inglesa e a La Liga espanhola também apresentam índices de rotatividade mais baixos, com 40%, indicando uma valorização maior da continuidade.

Ligas Internacionais Apresentam Maior Continuidade

Enquanto o Brasileirão vive um ciclo de trocas frequentes, outras ligas de elite no mundo demonstram um modelo de gestão mais estável para seus treinadores. A Noruega lidera o ranking de continuidade, com apenas 18,8% de substituições em suas 16 equipes, resultando em uma média de permanência que ultrapassa os 2,5 anos, ou 31,5 meses.

A Inglaterra, com a Premier League, e a Espanha, com a La Liga, também apresentam índices de rotatividade consideravelmente menores que o Brasil, ambos em 40% no período analisado. Esses números sugerem uma cultura diferente no futebol europeu, onde o planejamento de longo prazo e a confiança no trabalho do treinador parecem ser mais valorizados, contribuindo para um ambiente mais propício ao desenvolvimento contínuo das equipes.