Manaus amarga a segunda pior cobertura de creches do país e frustra promessas de educação
O cenário da educação infantil em Manaus revela uma realidade alarmante, em contraste direto com as promessas feitas durante a gestão do ex-prefeito David Almeida. Um novo e detalhado levantamento nacional, divulgado pela plataforma QEdu em parceria com o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), expõe o grave déficit na oferta de vagas em creches.
Os dados oficiais indicam que apenas 12,8% das crianças de 0 a 3 anos em Manaus frequentam creches ou unidades de educação infantil. Este índice coloca a capital amazonense como a segunda pior do Brasil nesse quesito, superando apenas Macapá, que registra 9,1% de cobertura. A situação é crítica, pois significa que quase nove em cada dez crianças manauaras dessa faixa etária estão fora do sistema formal de educação infantil.
Essa discrepância entre o discurso político e a realidade prática levanta sérias questões sobre a gestão pública e o compromisso com a primeira infância. O levantamento, que deveria gerar preocupação entre os gestores, evidencia um **abismo entre o marketing político e o abandono das famílias** que necessitam desses serviços essenciais.
Metas distantes e fracasso na pré-escola
A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) para 2026-2036 prevê que o Brasil alcance um atendimento mínimo de 60% para crianças de 0 a 3 anos. Com seus 12,8%, Manaus está a 47,2 pontos percentuais do objetivo. Para atingir essa meta, a prefeitura precisaria multiplicar sua capacidade atual de forma expressiva, o que demonstra a magnitude do desafio.
Mesmo na etapa da pré-escola, destinada a crianças de 4 e 5 anos e de frequência obrigatória, Manaus não atinge os índices esperados. O município atende apenas 80% das crianças dessa faixa, falhando em cumprir a meta legal de 90% de cobertura. Este desempenho coloca a capital amazonense entre os 16% de municípios brasileiros com pior desempenho nesta etapa.
Números absolutos mascaram a demanda real
Para tentar justificar o desempenho, gestores frequentemente recorrem a números absolutos. Dados do Censo Escolar de 2025 apontam que Manaus possui 70.470 matrículas na educação infantil, sendo 15.470 delas na rede municipal em creches. No entanto, em uma capital de grande porte e com crescimento populacional acelerado nas periferias, este número se mostra insuficiente diante da alta demanda.
A capacidade de oferta da prefeitura se mostra incapaz de acompanhar o ritmo de crescimento da população, resultando em uma enorme lacuna entre vagas disponíveis e crianças que precisam delas. Essa disparidade reflete um problema estrutural de atendimento à primeira infância.
O alto custo social e econômico do descaso com creches
O impacto da falta de acesso a creches vai muito além do desenvolvimento cognitivo e motor das crianças, que é crucial nos primeiros anos de vida. A ausência de creches de tempo integral tem um efeito direto nas famílias, especialmente nas mulheres. Milhares de mães são impossibilitadas de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho por falta de quem cuide de seus filhos.
Este cenário perpetua um ciclo de pobreza e desigualdade social, onde a falta de políticas públicas eficazes dificulta a ascensão econômica e social de muitas famílias manauaras. O legado real da gestão anterior, portanto, não é o da excelência educacional propagada, mas sim o das portas fechadas para milhares de crianças e suas famílias.
O Portal A Questão Central reitera seu compromisso com o jornalismo imparcial e informa que o espaço está aberto para manifestações da Prefeitura de Manaus, do ex-prefeito David Almeida ou da Secretaria Municipal de Educação (Semed) sobre as denúncias apresentadas.