Caso Benício: Médica é Indiciada por Homicídio Doloso e Venda de Maquiagem Durante Agonia do Menino

A Polícia Civil indiciou a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem responsáveis pelo atendimento que levou à morte do menino Benício, de 6 anos, em Manaus. A investigação aponta que a médica prescreveu adrenalina intravenosa, quando o protocolo correto indicava administração por inalação, resultando em uma superdosagem fatal.

Enquanto Benício recebia atendimento de emergência na chamada “sala vermelha” do Hospital Santa Júlia, a médica, segundo a polícia, estava focada em seu celular, negociando a venda de maquiagem com clientes. Mensagens trocadas pelo WhatsApp revelam detalhes das negociações, incluindo valores, descontos e comprovantes de pagamento.

Essas conversas ocorreram cerca de uma hora e meia após a aplicação incorreta do medicamento, período em que o menino já apresentava sinais graves de reação à superdosagem. A conduta da médica levantou suspeitas sobre sua dedicação ao paciente em estado crítico. O caso chocou o país e levanta sérias questões sobre a ética e a responsabilidade profissional na área da saúde. Conforme informação divulgada pelo g1, a família de Benício espera que a justiça seja feita e que o ocorrido sirva como um alerta.

Médica Tentou Isentar-se da Responsabilidade e Ofereceu Dinheiro

O inquérito policial detalha que a médica Juliana Brasil tentou se eximir da culpa pela morte de Benício. Ela alegou à Justiça que o sistema eletrônico do hospital teria alterado automaticamente a forma de administração do medicamento. No entanto, uma perícia técnica descartou qualquer falha no sistema, contrariando a versão da defesa.

Agravando a situação, investigadores descobriram mensagens que indicam que a médica chegou a oferecer dinheiro para a produção de um vídeo que sustentasse sua versão dos fatos. Essa tentativa de manipulação das provas fortalece a acusação de fraude processual e falsidade ideológica contra a profissional.

Indiciamentos Amplos e Falhas Estruturais no Hospital

Além da médica, a técnica de enfermagem que aplicou a adrenalina e diretores do Hospital Santa Júlia também foram indiciados. A Polícia Civil concluiu que houve falhas individuais e estruturais na unidade hospitalar, como a falta de profissionais suficientes e de um farmacêutico para conferir as prescrições médicas. Essa investigação aponta para um cenário de negligência que ultrapassa a conduta individual.

A médica foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, o que significa que ela assumiu o risco de causar a morte ao agir de forma negligente. Ela também responde por fraude processual e falsidade ideológica. A polícia descobriu ainda que Juliana Brasil se apresentava como pediatra, apesar de não possuir especialização na área. A técnica de enfermagem e a médica podem ir a júri popular.

Defesa da Médica Contesta Versão da Polícia

Em nota divulgada ao programa Fantástico, a defesa da médica Juliana Brasil afirmou que o vídeo apresentado à Justiça é verdadeiro e reiterou que o sistema do hospital apresentou falhas no dia do atendimento. O advogado Sérgio Figueiredo argumentou que, no momento da intubação de Benício, a criança já não estava mais sob a responsabilidade direta da médica.

“Ela já não estava sob o domínio daquela criança. Ela seguiu o plantão normalmente”, declarou o advogado. A defesa busca desvincular a médica do desfecho trágico do caso, focando em possíveis falhas do hospital e no momento em que a criança já estaria em outra fase do atendimento. Os pais de Benício expressam seu desejo por justiça e que este triste episódio sirva de reflexão para a sociedade.