Edinho Silva, presidente do PT, reconhece falha na não assinatura da CPI do Master e aponta origem no governo Bolsonaro.

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, declarou que a legenda cometeu um erro ao não assinar o requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A declaração foi feita em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, onde Silva enfatizou que a base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter assumido um papel de liderança nas investigações.

Segundo Edinho Silva, a percepção comum de que CPIs podem paralisar o Congresso e o governo não se aplica a casos de grande gravidade. Ele ressaltou que, após a entrevista, a bancada petista protocolou um requerimento próprio de CPI, mas optou por não endossar o pedido da oposição.

Ao abordar as denúncias de fraude financeira, o presidente do PT buscou desvincular o escândalo da atual gestão. Ele afirmou que o Banco Master foi criado e suas operações, posteriormente consideradas fraudulentas, foram autorizadas pelo Banco Central durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a gestão de Roberto Campos Neto. Silva destacou que foi o presidente Lula quem ordenou à Polícia Federal a estruturação das investigações.

Controvérsias recentes e o sistema político em xeque

A avaliação sobre a CPI do Banco Master surge em um contexto de reveses do Palácio do Planalto no Congresso. Edinho Silva criticou veementemente a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado, classificando o ato como um grave erro que gera instabilidade e reflete a intenção do Legislativo de enfraquecer o Judiciário.

Outro ponto de discórdia foi a derrubada do veto presidencial ao projeto que flexibiliza penas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Para Silva, o Congresso, ao aprovar a medida, “vira as costas para a sociedade” e minimiza a gravidade da tentativa de ruptura democrática.

Diante desses atritos, o presidente do PT declarou que o modelo político brasileiro está “totalmente destruído”. Ele citou o volume de emendas parlamentares impositivas, previstas em R$ 60 bilhões para o Orçamento de 2026, como um sintoma desse esgotamento, transformando-as em “moeda de troca” que enfraquece o poder Executivo.

Terras-raras, soberania e a redução da jornada de trabalho

Na mesma entrevista, Edinho Silva criticou as declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre as reservas de terras-raras brasileiras. O petista considerou um “absurdo” a oferta desses minerais como solução para a indústria tecnológica e de defesa norte-americana.

Silva defendeu a importância de um projeto de desenvolvimento nacional soberano, ressaltando que o governo Lula vê os recursos minerais como base para a revitalização industrial do país, e não apenas como commodities de exportação. A fala reforça a necessidade de proteger e desenvolver estrategicamente esses bens nacionais.

O presidente do PT também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, classificando a resistência à medida como “falta de inteligência”. Ele argumentou que o Brasil precisa discutir a redução da jornada de trabalho diante do avanço tecnológico e da diminuição de postos de trabalho.

A proposta de reduzir a carga horária para 40 horas semanais, segundo Silva, é essencial para que o ganho de produtividade se traduza em consumo. “Se não for assim, não adianta aumentar a produtividade. Não vai ter quem consuma”, ponderou.

Lula candidato em 2026 é certo, afirma presidente do PT

Apesar das turbulências e dos conflitos com o Congresso, Edinho Silva assegurou que não há hipótese de Lula não disputar as eleições de 2026. Ele reafirmou que o atual chefe do Executivo é o candidato do partido e o líder mais preparado para conduzir o país rumo a um futuro de desenvolvimento e estabilidade democrática, contrariando as adversidades políticas.