Governo Trump estima que bloqueio no Golfo de Omã já custa US$ 4,8 bilhões ao Irã, diz site

O governo do presidente Donald Trump estima que o Irã deixou de arrecadar cerca de US$ 4,8 bilhões em receitas de petróleo devido às restrições impostas pelos Estados Unidos no Golfo de Omã. Essa informação foi divulgada pelo portal de notícias americano Axios e representa uma intensificação da pressão econômica sobre Teerã.

Essa medida é a principal e mais recente estratégia de pressão de Trump para tentar negociar o fim das tensões com o Irã. Ao divulgar esses dados, o Departamento de Defesa dos EUA busca demonstrar o impacto dessa ação em meio a negociações de paz que ainda seguem sem um acordo definitivo.

A operação na região do Golfo de Omã foi iniciada pelo presidente americano em 13 de abril. Essa área está conectada ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde transita aproximadamente 20% do petróleo global, e se liga ao Mar Arábico, que dá acesso ao Oceano Índico.

A estratégia de pressão econômica dos EUA

A ação da Marinha dos EUA foi uma resposta às restrições impostas pelo Irã ao tráfego no Estreito de Ormuz. Embora a passagem nunca tenha sido completamente interrompida, navios ligados a Teerã continuaram a cruzar a região, enquanto outras embarcações enfrentaram limitações significativas.

A estratégia americana de dificultar a passagem de navios ligados a Teerã segue a lógica de pressão econômica já adotada em outros contextos, como no caso da Venezuela neste ano. Segundo o portal Axios, o objetivo é forçar o Irã a atingir sua capacidade máxima de armazenamento de petróleo, o que poderia levar ao fechamento de poços.

Ao impedir ou dificultar a circulação de petroleiros, os EUA visam atingir uma das principais fontes de receita do Irã. O petróleo representa cerca de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, tornando essa ação um golpe significativo na economia iraniana.

Tensões e negociações em curso

A escalada das tensões e as incertezas em torno do Estreito de Ormuz já impulsionaram o preço do petróleo, que acumula uma alta de mais de 50% desde o início das hostilidades entre EUA e Irã. Na sexta-feira, o barril do tipo Brent, referência global, era cotado a US$ 109,12.

Donald Trump afirmou recentemente que não está satisfeito com a mais recente proposta de acordo de paz apresentada pelo regime iraniano. “Eles querem fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito com isso, então veremos o que acontece”, declarou.

Na noite de quinta-feira, o Irã entregou sua proposta mais recente de negociação a mediadores no Paquistão, de acordo com a agência estatal iraniana IRNA. Apesar disso, o frágil cessar-fogo de três semanas entre os EUA e o Irã parece estar sendo mantido, embora ambos os países tenham trocado acusações de violações.

Controvérsias sobre o encerramento das hostilidades

Na mesma sexta-feira, Trump informou ao Congresso que as hostilidades com o Irã “foram encerradas”, apesar de tropas americanas manterem um bloqueio naval contra o país, uma ação considerada ato de guerra pelo direito internacional.

Na prática, essa medida tenta contornar o prazo legal que terminou na quinta-feira para que o Congresso autorizasse a continuidade da guerra. Nos EUA, o presidente pode iniciar ações militares unilateralmente, mas precisa do aval do Congresso em até 60 dias para manter o conflito.

Como o Congresso não votou o tema, o governo passou a afirmar que a regra não se aplica porque o conflito teria terminado com um cessar-fogo iniciado no início de abril. Contudo, o próprio presidente indicou que a crise está longe do fim, justificando a permanência de militares no Oriente Médio ao afirmar que o Irã ainda representa uma “ameaça significativa” aos EUA e às Forças Armadas.