Prédio de R$ 50 Mil Mensais para Venezuelanos em Manaus Vazio, Enquanto Sala no Aeroporto é Desativada por Falta de Pagamento
Um imóvel de quase 900 metros quadrados, localizado no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, está sendo alugado pelo Governo do Amazonas por aproximadamente R$ 50 mil mensais, mas permanece sem uso. A estrutura, que conta com ar-condicionado, extintores de incêndio e interfone funcionando, deveria servir como Posto de Interiorização e Triagem (Ptrig) para atender migrantes e refugiados venezuelanos.
Enquanto isso, a sala de atendimento a estrangeiros no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foi desativada por falta de pagamento do aluguel, deixando um ponto crucial de recepção a descoberto. Moradores e comerciantes locais relatam que o prédio alugado está vazio há muito tempo, levantando questionamentos sobre a eficiência da gestão pública diante da crise migratória.
Essa situação ocorre em um momento em que venezuelanos continuam chegando a Manaus em busca de melhores condições de vida. Conforme informações divulgadas pela Rede Amazônica, o contrato de aluguel do novo Ptrig, com duração de três anos, totaliza quase R$ 2 milhões, sendo R$ 50 mil pagos mensalmente desde novembro do ano passado, sem que o local esteja operacional.
Justificativas Oficiais e Burocracia para o Imóvel Vazio
Segundo Jussara Pedrosa, secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), procedimentos administrativos justificam o espaço inoperante. Ela informou que a instalação da rede lógica para os computadores e a equipagem do local estão previstas para as próximas semanas, com a migração do Ptrig esperada em cerca de duas a três semanas.
O prédio alugado fica a quase oito quilômetros da rodoviária, por onde a maioria dos estrangeiros chega, e a uma distância similar do aeroporto. A secretária Jussara Pedrosa também comentou sobre o fechamento do posto no aeroporto, afirmando que não existe dívida formal com a administradora, pois, segundo ela, para haver uma confissão de dívida, seria necessário um contrato formal, o que não ocorreu.
Atendimento Precário e Abrigos Inundados
Enquanto o novo prédio alugado não é inaugurado, servidores estaduais e policiais federais realizam atendimentos provisoriamente em uma sala nos fundos do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, local que já funciona há quase dois anos. A situação é agravada pela chegada contínua de venezuelanos, como a filha da professora Maria Isabel, que relata o caos no país vizinho.
“A luz se vai todos os dias. Com essa questão de dólar que sobe todos os dias é um caos total”, contou Maria Isabel. Para aqueles que chegam sem ter onde ficar, um antigo alojamento na Avenida Torquato Tapajós foi recentemente desativado após ser inundado por fortes chuvas no final de março. Cerca de vinte venezuelanos tiveram que ser retirados às pressas do local.
A Importância do Apoio e da Autossuficiência para Migrantes
A secretária Jussara Pedrosa afirmou que a água não chegou aos alojamentos e que nada foi danificado, mas a responsabilidade de achar abrigo para quem precisa agora é da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas). Lis Martinez, que coordena projetos de capacitação para venezuelanos em Manaus, destaca a importância do apoio inicial, mas ressalta a necessidade de promover a autossuficiência.
“O migrante, é possível que, no princípio, precise de ajuda, mas ele é como um bebê: ele vai dando pequenos passos e vai crescendo, e à medida que vai crescendo, ele vai trabalhar, vai pagar impostos, todos pagamos impostos, vai criar um negócio, como muitas de nossas empreendedoras que já têm negócios e geram empregos”, explicou Martinez. Ela enfatizou que, com o tempo, esses migrantes contribuem para a economia local, pagam aluguel e, futuramente, podem até votar.