PM de SP veta ato sindical na Paulista no 1º de Maio e libera grupos bolsonaristas, gerando polêmica
A Polícia Militar de São Paulo vetou a realização de um ato sindical na Avenida Paulista no dia 1º de Maio, data mundialmente dedicada aos trabalhadores. A decisão, que impede a central sindical CSP-Conlutas e outras entidades de realizarem sua manifestação, gerou críticas e acusações de parcialidade.
Segundo a corporação, a preferência foi dada a três pequenos grupos bolsonaristas, que já haviam solicitado autorização prévia para suas manifestações. A PM justifica a decisão citando o ano eleitoral e a possibilidade de tensões entre os movimentos, alegando seguir regras estabelecidas para esses casos.
A CSP-Conlutas, historicamente ligada ao PSTU, partido de esquerda radical, classificou a decisão como um absurdo e uma arbitrariedade. A central considera que o dia 1º de Maio deve ser livre para manifestações dos trabalhadores. Conforme informações divulgadas, a PM ameaçou acionar o Batalhão de Choque para desobstruir a Paulista caso a CSP-Conlutas descumpra o veto.
A PM alega atuação técnica e isonômica, mas centrais sindicais questionam
Em nota oficial, a Polícia Militar afirmou que atua de forma técnica e isonômica no planejamento de eventos em vias públicas. A corporação garante que segue critérios previamente estabelecidos para assegurar o direito à livre manifestação e a segurança de todos os envolvidos, sem distinção quanto à natureza, pauta ou representatividade dos organizadores.
A PM informou que o planejamento operacional para o dia 1º de Maio será específico, baseado nas solicitações formalizadas e nos parâmetros legais vigentes. A nota reforça que os mesmos critérios legais de segurança e ordem cronológica do pedido são adotados para todos os eventos, visando garantir a ordem pública e a segurança dos manifestantes e da população.
Grupos bolsonaristas com pouca expressividade e pautas políticas específicas
Os grupos bolsonaristas que tiveram autorização para se manifestar na Paulista são de pequeno porte. O grupo Patriotas do QG, por exemplo, possui uma página no Instagram com 3.976 seguidores. Em suas redes sociais, o grupo convoca para uma manifestação no dia 1º de Maio em frente ao prédio da Fiesp.
A pauta desses movimentos inclui apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedidos de liberdade para Jair Bolsonaro. A falta de expressividade desses grupos em comparação com o veto a uma central sindical histórica levanta questionamentos sobre a decisão da PM.
Alternativas de manifestação e críticas de sindicalistas
Diante da recusa da PM em autorizar o ato na Avenida Paulista, representantes das centrais sindicais discutiram alternativas. Uma das sugestões foi realizar a manifestação na Praça do Ciclista, no cruzamento da Paulista com a Consolação, ou na Praça Roosevelt. Luiz Carlos Prates, conhecido como Mancha e dirigente da CSP-Conlutas, criticou veementemente a decisão.
“Isso é um absurdo. Não bastasse a decisão arbitrária e de última hora, este dia é mundialmente consagrado às manifestações do Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores e suas reivindicações e, como tal, deve ser tratado”, declarou Mancha. A CSP-Conlutas busca garantir o espaço para discutir as pautas trabalhistas e as reivindicações da categoria em um dia de grande significado histórico.