Zelensky alerta sobre os perigos de eleições em tempos de guerra na Ucrânia, chamando a ideia de um “tsunami” que pode dividir o país e ameaçar a segurança nacional.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, expressou forte oposição à realização de eleições durante o conflito em curso com a Rússia. Em declarações recentes, ele descreveu o pleito em tempos de guerra como um risco colossal, capaz de fragmentar a sociedade ucraniana e comprometer os esforços de defesa.
A posição de Zelensky surge como resposta a uma proposta do ex-ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, que defendeu a realização de eleições mesmo sob a lei marcial. A Ucrânia suspendeu os processos eleitorais desde o início da invasão russa, uma medida amplamente apoiada pela população que prioriza a unidade nacional e o esforço de guerra.
“Acredito que, em uma guerra como esta, eleições, como tais, representam um enorme risco. Eleições neste momento são um tsunami para o país que vai dividir a Ucrânia”, afirmou Zelensky a jornalistas. Ele enfatizou que seguir com eleições agora seria o mesmo que “destruir o país”. A declaração foi feita em um raro encontro com a imprensa, após um período de turbulências políticas internas.
Obstáculos e Divisões Sociais Marcam o Debate Eleitoral
A discussão sobre eleições em meio à guerra ganhou destaque após a demissão de Mykhailo Fedorov em julho. O ex-ministro, conhecido por suas iniciativas de modernização militar e fomento à tecnologia, surpreendeu ao defender a realização de eleições sem apresentar um plano concreto de como isso seria viabilizado.
Especialistas apontam uma série de desafios logísticos e de segurança para a realização de um pleito. Entre os obstáculos estão a impossibilidade de votação para soldados na linha de frente, a organização do voto para milhões de refugiados ucranianos no exterior e para os residentes em territórios ocupados pela Rússia. Há também o temor de campanhas de desinformação russas.
Uma pesquisa do Instituto de Sociologia de Kiev revelou que apenas 15% dos ucranianos consideram que as eleições deveriam ocorrer antes do fim do conflito, evidenciando um forte sentimento popular contra a realização do pleito neste momento delicado.
Críticas e Protestos Após Demissões no Governo
Durante o encontro com a imprensa, Zelensky também dirigiu críticas a Fedorov, sugerindo que o ex-ministro estaria se movendo em direções equivocadas, seja por iniciativa própria ou sob influência externa. Fedorov ganhou notoriedade pela modernização das Forças Armadas e pelo uso estratégico de drones, que causaram perdas significativas às tropas russas.
O conflito entre Fedorov e o comando militar ucraniano, devido a abordagens consideradas menos tradicionais, precedeu sua demissão. Após sua saída, parte da opinião pública clamou pela demissão do comandante-em-chefe Oleksandr Sirski, que acabou sendo substituído em uma tentativa de acalmar os ânimos.
Apelo à Unidade e Advertência Contra Desinformação
Zelensky reconheceu o direito da população de se manifestar, mas fez um alerta contra atitudes que possam ser desrespeitosas com os militares que lutam na linha de frente. Ele questionou a influência do “marketing” em detrimento do sacrifício dos soldados.
O presidente reiterou que seu principal objetivo é **evitar a divisão interna** da Ucrânia. “A sociedade e os soldados não devem se dividir. Precisamos reconhecer que o risco existe: que possa haver um movimento nessa direção, de situações perigosas”, concluiu Zelensky, ressaltando a importância da unidade nacional em face da agressão russa.