Pequim recebe Trump e Putin com pompa, mas com agendas divergentes: China mira estabilidade com EUA e parceria estratégica com Rússia.
As recentes visitas dos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin a Pequim foram marcadas por uma impressionante demonstração de hospitalidade por parte da China. A pompa e a cerimônia foram semelhantes para ambos os líderes, com apertos de mão formais, desfiles militares e a recepção calorosa de crianças acenando com flores na Praça Tiananmen. No entanto, por trás da fachada de cordialidade, as conversas revelaram as prioridades distintas de Xi Jinping em suas relações com Washington e Moscou.
Enquanto a visita de Donald Trump teve como foco a busca por estabilizar os laços, especialmente diante de tensões comerciais, a viagem de Vladimir Putin serviu para consolidar e aprofundar a parceria estratégica já existente entre China e Rússia. As diferenças nas agendas e nos resultados das reuniões sublinham a complexa teia diplomática que a China tece no cenário global.
A análise das interações revela que a China buscou demonstrar a Trump a importância de uma relação estável, enquanto com Putin, o objetivo foi reforçar uma aliança já sólida. Essa dualidade nas abordagens, conforme divulgado por fontes diplomáticas, reflete os interesses estratégicos e econômicos de Pequim em suas interações com as duas maiores potências mundiais. Conforme informação divulgada, a China buscou estabilizar os laços com os Estados Unidos durante a visita de Trump, enquanto a viagem de Putin serviu para aprofundar sua parceria estratégica com a Rússia.
Diferenças na Recepção e Duração das Visitas
A duração das visitas já indicava abordagens distintas. Donald Trump permaneceu na China por três dias, recebendo um tratamento cerimonial que incluiu um raro passeio por Zhongnanhai, sede do governo chinês. Vladimir Putin, por sua vez, esteve no país por dois dias, com foco maior em discussões substanciais dentro do Grande Salão do Povo, onde visitaram exposições e tomaram chá.
Ambos os líderes foram recebidos com honras militares na Praça Tiananmen, com guardas cerimoniais e bandas. As reuniões a portas fechadas ocorreram no Grande Salão do Povo. Trump também teve acesso a locais históricos como o Templo do Céu e os jardins imperiais de Zhongnanhai, evidenciando um esforço em mostrar a riqueza cultural e a importância da relação bilateral.
Mensagens Contrastantes: Estabilidade com os EUA, Parceria com a Rússia
A principal diferença entre as cúpulas foi a mensagem transmitida. Com Trump, Xi Jinping enfatizou a necessidade de manter uma relação relativamente estável, especialmente após meses de tensões e uma guerra comercial. O líder chinês instou Trump a ver a China como uma parceira, não uma rival. Ambos concordaram em trabalhar para uma “relação construtiva China-EUA de estabilidade estratégica”.
Em contrapartida, com Putin, o foco foi reforçar e aprofundar uma parceria de longa data, crucial tanto estratégica quanto economicamente. A relação entre China e Rússia foi descrita como “sem limites”, e Putin destacou o setor energético como a “força motriz” da cooperação, com acordos significativos em petróleo e gás.
Acordos e Declarações: Sinais de Alinhamento e Divergência
A visita de Putin resultou na assinatura de mais de 40 acordos de cooperação em áreas como comércio, tecnologia e mídia. Os líderes também assinaram uma declaração conjunta que descreve Rússia e China como “importantes centros de poder em um mundo multipolar”. Essa declaração demonstra um alinhamento político e estratégico claro entre os dois países.
Com Trump, não houve assinatura pública de acordos durante a visita. Detalhes de acordos foram anunciados após a saída do presidente americano, incluindo a promessa da China de comprar produtos agrícolas americanos no valor de US$ 17 bilhões anuais e 200 jatos Boeing. Contudo, a ausência de um acordo formal para o projeto do gasoduto Força da Sibéria 2 foi apontada como uma surpresa.
Taiwan: Um Ponto de Tensão com os EUA, Unidade com a Rússia
A questão de Taiwan emergiu como um ponto crucial de divergência. Xi Jinping deixou claro para Trump que Taiwan é a questão mais importante na relação bilateral e alertou sobre o risco de confronto caso as relações dos EUA com a ilha autogovernada sejam mal gerenciadas. Trump, por sua vez, não mencionou Taiwan publicamente durante a visita, mas, ao retornar aos EUA, descreveu a venda de armas para Taiwan como uma “ótima moeda de troca” com a China, gerando apreensão na ilha.
Com Putin, não houve sinais de discórdia. A declaração conjunta assinada pelos líderes russos e chineses reafirmou a oposição da Rússia à independência de Taiwan “em qualquer forma” e manifestou apoio aos esforços da China para alcançar a “unificação nacional”. Ambos os lados também expressaram preocupação com a “remilitarização acelerada” do Japão, em um contexto de tensões sino-japonesas relacionadas a Taiwan.