Vídeos de Câmera Corporal Revelam Confronto Inesperado: Agentes Federais Podem Ter Causado Colisão com Professora em Chicago

O caso de Marimar Martinez, professora de 31 anos atingida por disparos de um agente da Patrulha da Fronteira em Chicago, ganhou novos contornos com a divulgação de imagens de câmeras corporais. O material, liberado pelo Ministério Público Federal, apresenta contradições significativas em relação à versão oficial inicialmente divulgada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DSI).

As gravações sugerem que agentes federais podem ter iniciado a colisão com o veículo de Martinez, fato que diverge das informações preliminares. A situação ocorreu em 4 de outubro de 2025, durante uma operação de imigração, quando Martinez, ao tentar alertar moradores sobre a presença dos agentes, acabou se envolvendo no incidente.

Um juiz distrital chegou a criticar as autoridades pela falta de preocupação com a reputação de Martinez ao divulgar informações sobre o caso. As novas evidências, divulgadas em 10 de fevereiro de 2026, levantam sérias dúvidas sobre a conduta dos agentes envolvidos, conforme informações apuradas pela Reuters.

Agentes Teriam Provocado a Colisão, Indicam Gravações

As imagens das câmeras corporais capturaram diálogos entre os agentes que precederam o impacto. Em um dos trechos, é possível ouvir um agente dizer, “faça alguma coisa, vadia”, momentos antes da colisão. Outro agente, no veículo que viria a colidir com Martinez, declarou: “É hora de sermos agressivos” e “Vamos fazer contato”.

Logo após, um dos oficiais disse pelo rádio: “Atenção, fomos atingidos, fomos atingidos”. Essas falas e ações, registradas nas gravações, indicam uma possível intenção de forçar o contato, contrariando a ideia de um acidente fortuito. O veículo conduzido por um agente, identificado posteriormente como Exum, virou bruscamente o volante para a esquerda, culminando na colisão.

Mensagens e Acusações: O Rastro de Exum

Após ser baleada, Marimar Martinez conseguiu fugir dirigindo e foi levada a um hospital, onde sobreviveu aos múltiplos disparos efetuados pelo agente Exum. Inicialmente, Martinez foi indiciada por obstrução a agente federal, mas as acusações foram retiradas em novembro de 2025.

Mensagens de texto reveladas durante o processo mostram Exum se gabando em um grupo com outros agentes. Ele escreveu: “Disparei 5 tiros e ela ficou com 7 buracos. Anotem isso, rapazes”. Essas mensagens levantam sérias preocupações sobre a conduta e a intenção do agente.

Martinez Busca Justiça e Reparar sua Reputação

Segundo seu advogado, Christopher Parente, Martinez pretende entrar com uma ação civil. Ela declarou que a decisão de buscar a justiça foi motivada também pelos recentes casos de mortes de manifestantes em Minneapolis, além de querer limpar sua reputação após ser erroneamente chamada de “terrorista doméstica” pelo DSI.

A defesa de Martinez aponta que o veículo utilizado por Exum, um Chevy Tahoe, foi levado de volta à base no Maine para reparos por um mecânico da CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) antes que os réus pudessem examiná-lo. O oficial Gregory Bovino, que elogiou Exum, foi posteriormente rebaixado de seu cargo após a morte de um manifestante.

Controvérsias na Operação e nas Consequências

A divulgação das imagens de câmera corporal, ocorrida em 10 de fevereiro de 2026, após uma decisão judicial, expôs a discrepância entre os fatos filmados e a narrativa oficial. O caso de Marimar Martinez, a professora que alertava sobre uma operação de imigração, agora está sob escrutínio intensificado.

A atuação dos agentes federais, as falas capturadas e as ações subsequentes estão sendo reavaliadas. A busca por justiça por parte de Martinez e a reparação de sua reputação ganham força com as novas evidências, que apontam para uma possível provocação e uso excessivo da força.