Venezuela mantém controle de seu petróleo, afirma presidente interina após acordo com EUA
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou neste sábado (29) que o país sul-americano mantém a propriedade e a soberania sobre seus vastos recursos petrolíferos. A declaração surge um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo que, segundo ele, garantiria ao país norte-americano o controle de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano, o equivalente a cerca de 21% das reservas totais.
A fala de Rodríguez, transmitida pela televisão estatal, busca reafirmar a autonomia da Venezuela sobre suas riquezas naturais, em um momento de tensões e negociações intensas com os Estados Unidos. A Venezuela possui as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, e atualmente produz aproximadamente 1,25 milhão de barris por dia.
O anúncio de Trump, que detalhou que o acordo se daria por meio de parcerias com empresas privadas, visa aumentar significativamente as reservas estratégicas de petróleo dos EUA, que poderiam mais que dobrar. A medida ocorre em um contexto de pressão sobre os preços da gasolina no mercado internacional e a necessidade de recompor as reservas americanas, especialmente diante do conflito com o Irã, que também impacta o mercado de commodities. A informação foi divulgada em meio a negociações para garantir um fluxo estável de petróleo venezuelano para as refinarias americanas, desde a deposição do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro deste ano.
Contexto da Deposicão de Maduro e o Papel dos EUA
Em 3 de janeiro, uma operação militar americana resultou na deposição e sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi levado para Nova York. Em seu lugar, Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, assumiu a presidência interina. O governo de Rodríguez tem adotado medidas consideradas pró-Washington, incluindo a libertação de dissidentes políticos e o envio de petróleo para os Estados Unidos, buscando uma reaproximação no setor energético.
A Influência Americana e os Interesses Petrolíferos
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é apontado como uma figura chave nas decisões políticas em Caracas, defendendo uma aproximação com a Venezuela, principalmente devido à importância estratégica do país no mercado petrolífero global. A Casa Branca tem intensificado seus esforços para garantir o acesso ao petróleo venezuelano, especialmente após a escalada das tensões com o Irã, que elevou os preços internacionais do petróleo.
Pressões Internas e Internacionais
Enquanto os Estados Unidos buscam consolidar acordos energéticos, a oposição venezuelana e organizações de direitos humanos têm pressionado por um avanço mais rápido nas negociações políticas e pela realização de eleições. Essa cobrança encontra eco entre parlamentares democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos, que acompanham de perto os desdobramentos na Venezuela.
Visão de Transição Política e Econômica
Marco Rubio delineou anteriormente um plano de transição para a Venezuela em três etapas após a saída de Maduro, que incluiria a estabilização econômica, a reorganização política e, por fim, a transição para eleições democráticas. A estratégia visa não apenas o acesso aos recursos petrolíferos, mas também a pacificação e a reconstrução do cenário político venezuelano.