Venezuela: Um Tesouro Mineral Além do Petróleo e o Interesse Americano em Minerais Críticos
A Venezuela, conhecida mundialmente por suas imensas reservas de petróleo, possui um subsolo rico em outros minerais de vital importância para a economia global. Ferro, bauxita, ouro, coltan e terras raras são apenas alguns dos recursos que despertam o interesse de potências como os Estados Unidos, que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos.
Esses minerais são fundamentais para a indústria de alta tecnologia e para diversos setores estratégicos. A busca por acesso a essas riquezas naturais, aliada à instabilidade política do país, configura um cenário complexo de disputas e interesses geopolíticos.
Conforme informações divulgadas por especialistas e órgãos governamentais, a Venezuela detém reservas significativas de diversos minerais, cujo potencial econômico é avaliado em bilhões de dólares. A exploração desses recursos, no entanto, enfrenta desafios ambientais, sociais e políticos, além de uma infraestrutura muitas vezes precária.
Um Panorama das Riquezas Minerais Venezolanas
O geólogo venezuelano Gustavo Coronel, um dos fundadores da estatal PDVSA, destaca que, além do petróleo, o país abriga jazidas importantes de **ferro, bauxita e ouro**. O sociólogo Emiliano Terán Mantovani acrescenta à lista **diamantes, coltan, níquel, cobre e carvão**, ressaltando a vasta diversidade mineral venezuelana.
O Centro Internacional de Investimentos Produtivos (CIIP) aponta que a Venezuela possui a oitava maior reserva mundial de ferro, com cerca de 14,7 bilhões de toneladas. Em relação à bauxita, matéria-prima essencial para a produção de alumínio, as reservas ultrapassam 321 milhões de toneladas, com aplicações na fabricação de aeronaves e automóveis.
No que tange ao ouro, as estimativas variam entre 2,2 mil e 8 mil toneladas, o que posicionaria a Venezuela como a segunda maior reserva mundial. Contudo, especialistas alertam que esses números carecem de verificação independente, devido à exploração desordenada e à falta de estudos recentes.
Terras Raras e Coltan: Minerais Estratégicos para a Tecnologia
As autoridades venezuelanas e especialistas confirmam a existência de **terras raras** no país, elementos químicos indispensáveis para a fabricação de baterias, telas, ímãs e outros equipamentos tecnológicos. A descoberta inicial de terras raras, tório, nióbio e tântalo em Cerro Impacto, uma área de difícil acesso, levanta questões ambientais devido à necessidade de escavações profundas.
O **coltan**, uma mistura de columbita e tantalita, da qual se extraem nióbio e tântalo, também é abundante na Venezuela e amplamente utilizado na indústria eletrônica. Hugo Chávez, em 2010, avaliou as reservas de coltan em cerca de US$ 100 bilhões. No entanto, a exportação formal tem sido limitada, com relatos de contrabando crescente.
O Interesse Americano e os Desafios da Exploração
O Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, declarou que o presidente Trump pretende recuperar o setor de mineração venezuelano, citando o **ferro e outros minerais críticos** como de interesse americano. A inclusão de bauxita, níquel, cobre e carvão na lista de minerais críticos do USGS reforça a estratégia de diversificação de suprimentos dos EUA.
Apesar do potencial, a Venezuela enfrenta desafios significativos para se tornar um fornecedor confiável. A falta de infraestrutura moderna, a carência de estudos geológicos atualizados e a instabilidade jurídica são obstáculos consideráveis, segundo a consultoria GlobalData Energy.
A proposta de reforma da Lei de Hidrocarbonetos e outras leis, visando atrair investimento privado, demonstra a disposição do governo em explorar essas riquezas. No entanto, especialistas como Coronel e Terán expressam preocupação com a possibilidade de exploração predatória e a falta de considerações ambientais e sociais, alertando para riscos à soberania e ao meio ambiente.
O Arco Mineiro do Orinoco e as Controvérsias da Mineração
Em 2016, foi criado o **Arco Mineiro do Orinoco**, uma vasta região destinada à exploração mineral, com foco principal no ouro. Esperava-se a participação de cerca de 150 empresas, mas a insegurança jurídica, a crise política e as sanções internacionais prejudicaram os planos. A pequena mineração, muitas vezes sem respeito ao meio ambiente e às comunidades indígenas, e a expansão do crime organizado na região são denúncias recorrentes.
A produção de ouro tem aumentado, mas uma pequena parcela dos lucros chega aos cofres públicos. Relatórios indicam que organizações criminosas e elites políticas se beneficiam da maior parte da receita, enquanto o governo venezuelano tem sido pouco transparente sobre os valores arrecadados. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que o ouro financia serviços exteriores e atletas, mas os dados de produção são vagos.