Zelensky projeta Ucrânia na União Europeia em 3 anos, enquanto EUA condicionam apoio a acordo com a Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou uma meta audaciosa: a adesão do país à União Europeia até 2027. Ele ressaltou a importância estratégica dessa integração, não apenas para a segurança ucraniana, mas para a estabilidade de toda a Europa, destacando as contribuições da Ucrânia em áreas como segurança, tecnologia e economia. A declaração vem em um momento crucial, com negociações delicadas sobre garantias de segurança pós-conflito com os Estados Unidos.
Contudo, a perspectiva de adesão à UE enfrenta um obstáculo significativo. Informações divulgadas pelo jornal “Financial Times”, baseadas em fontes familiarizadas com as negociações, revelam que o governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, sinalizou que as garantias de segurança futuras para a Ucrânia dependeriam da concordância de Kiev em um acordo de paz que envolvesse a cessão da soberania sobre a região de Donbas à Rússia. Essa condição contraria diretamente a posição de Zelensky.
A Ucrânia, por sua vez, busca ter as garantias de segurança firmadas antes de qualquer concessão territorial, enquanto a Rússia insiste na cessão de todo o Donbas como pré-requisito para o fim do conflito. Essa divergência aumenta a incerteza em Kiev quanto ao comprometimento de Washington, com relatos de que os EUA estariam recuando em momentos decisivos para a assinatura dos acordos. Conforme informação divulgada pelo “Financial Times”, a Ucrânia está cada vez mais incerta sobre o comprometimento de Washington com garantias de segurança.
Zelensky define 2027 como meta para adesão à UE
Em uma declaração enfática, Volodymyr Zelensky afirmou que a adesão da Ucrânia à União Europeia é uma das principais garantias de segurança para o país e para o continente europeu. Ele argumentou que a força coletiva da Europa se fortalece com as contribuições ucranianas em diversos setores. Por isso, o presidente ucraniano defende a definição de uma data concreta, 2027, e conta com o apoio dos parceiros internacionais para viabilizar essa aspiração.
EUA condicionam apoio a cessão de território ucraniano
A reportagem do “Financial Times” aponta que os Estados Unidos, durante o governo Trump, indicaram que o fornecimento de garantias de segurança pós-guerra à Ucrânia estaria atrelado à aceitação de Kiev em ceder o controle da região de Donbas à Rússia. Essa exigência, que vai de encontro à vontade de Zelensky, também incluiria a possibilidade de oferecer mais armamentos ao exército ucraniano em troca da retirada de suas forças das partes de Donbas ainda sob controle ucraniano. O Kremlin, por sua vez, reafirma que a questão territorial é fundamental para qualquer acordo de paz.
Garantias de segurança: Ucrânia quer acordo antes, EUA pressionam por cessões
A Ucrânia tem reiterado a necessidade de preservar sua integridade territorial em qualquer acordo de paz, enquanto a Rússia mantém sua exigência sobre o Donbas. O país europeu busca que as garantias de segurança com os EUA sejam assinadas antes de qualquer cessão territorial. No entanto, segundo o “Financial Times”, os Estados Unidos acreditam que a Ucrânia precisa abrir mão de parte do Donbas para que a guerra termine, e não estariam pressionando o presidente russo, Vladimir Putin, a abandonar essa exigência. Uma fonte familiarizada com a posição dos EUA declarou ao jornal que Washington “não está tentando forçar quaisquer concessões territoriais à Ucrânia”, mas que as garantias dependem do acordo entre as partes.
Reuniões trilaterais em Abu Dhabi terminam sem acordo definitivo
As primeiras reuniões trilaterais entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia para discutir o fim da guerra, realizadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, terminaram sem um acordo concreto. Apesar de Zelensky ter classificado as conversas como “construtivas”, e a Rússia ter afirmado que foi um “começo construtivo”, as negociações não avançaram para uma resolução imediata. As reuniões ocorreram após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que encerraria o conflito em 24 horas caso fosse reeleito. A porta-voz da Casa Branca confirmou que Trump continua engajado pela paz e chamou as reuniões de “históricas”.