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🏛️ Política

Trump, Rubio e Bolsonaro: Como a política de palanque avacalhou as relações Brasil-EUA, relembre crises históricas

Trump, Rubio e Bolsonaro: Como a política de palanque avacalhou as relações Brasil-EUA, relembre crises históricas

Relações Brasil-EUA: Crises do passado e a nova era de tensões diplomáticas sob Trump e os Bolsonaro

Ao longo de mais de dois séculos de diplomacia, Brasil e Estados Unidos já atravessaram diversas turbulências. No entanto, o cenário atual, marcado por um estilo de confronto direto e a instrumentalização das relações bilaterais para fins políticos internos, apresenta um capítulo inédito e preocupante nessa longa história.

Diferentemente de períodos anteriores, onde desentendimentos eram tratados com cautela e respeito entre chefes de Estado e diplomatas, a era Trump e a ascensão dos Bolsonaro no Brasil trouxeram uma nova dinâmica, transformando a relação bilateral em um palco para discursos inflamados e interesses de curto prazo.

Este artigo explora como as relações entre as duas nações foram impactadas, contrastando com momentos históricos de crise que, apesar de graves, foram geridos de forma distinta, demonstrando a importância da diplomacia e do respeito mútuo, conforme aponta o conteúdo divulgado.

Encrencas diplomáticas no passado: Do Império à Guerra Fria

A história registra que, mesmo durante o período imperial brasileiro, houve momentos de tensão com representantes americanos. Três figuras específicas causaram desentendimentos, com um deles sendo retirado do país, outro levado até a porta de saída e um terceiro chegando a ameaçar a suspensão das relações, mas todos foram repreendidos por Washington.

Nos anos 1970, quando divergências sobre direitos humanos e um acordo nuclear com a Alemanha criaram atritos entre Brasil e EUA, presidentes como Ernesto Geisel e Jimmy Carter, juntamente com seus ministros, mantiveram a compostura e evitaram insultos pessoais.

Um exemplo notável foi quando os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros. A resposta do presidente Geisel foi contida, limitando-se a recusar um convite para visitar os EUA, demonstrando uma abordagem diplomática prudente diante das pressões.

A crise de 1964: Um episódio de tensão militar e diplomática

Um registro histórico relevante ocorreu em março de 1964, em meio a um Brasil politicamente polarizado. O empresário Alberto Byington, com conexões nos EUA e na CIA, viajou a Washington preocupado com a instabilidade interna e ameaças de greves em refinarias, que poderiam comprometer o abastecimento de gasolina.

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A situação escalou, levando a uma reunião em Washington com o presidente Lyndon Johnson, o secretário de Estado Dean Rusk, o diretor da CIA John McCone e o embaixador no Brasil, Lincoln Gordon. Foi decidida a mobilização de uma frota naval para o litoral brasileiro, com adição de petroleiros, caso a crise se agravasse.

Um pedido similar, vindo do marechal Cordeiro de Farias, também foi encaminhado, mas sem deixar rastros significativos. No final de março, o embaixador Gordon solicitou a verificação dos petroleiros, e na noite de 31 de março, quatro navios comerciais foram desviados para o litoral brasileiro com mais de 553 mil barris de combustível, o equivalente a um dia de consumo nacional.

A frota, que chegaria após 7 de abril, e os petroleiros, após o dia 13, acabaram sendo desmobilizados entre 2 e 3 de abril, pois a intervenção militar não se fez necessária. A decisão de enviar a frota foi centralizada pelo general Paul Tibbets Jr., que também pilotou o avião que lançou a bomba atômica em Hiroshima em 1945.

A era Trump e Bolsonaro: Palanque e a deterioração das relações bilaterais

A análise das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente sob a influência de figuras como Donald Trump e os Bolsonaro, aponta para uma deterioração significativa. A transformação da diplomacia em um mero assunto de palanque, com discursos e ações voltados para o público interno, tem sido um fator chave nessa crise.

Enquanto crises anteriores, como a de 1964, foram geridas com pragmatismo e discrição, a abordagem atual prioriza a confrontação e a retórica inflamada. Essa estratégia, embora possa gerar engajamento político interno, prejudica a **confiança e a cooperação mútua** entre as duas nações.

A utilização das relações exteriores como ferramenta de campanha e a busca por holofotes, em detrimento de negociações estratégicas e de longo prazo, demonstram um novo tipo de encrenca, onde a diplomacia tradicional cede espaço para o confronto midiático, impactando diretamente os interesses nacionais de ambos os países.

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