Trump diz que Irã buscou negociar acordo nuclear após ameaças militares, em meio a repressão a protestos que já causaram mais de 500 mortes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que o Irã procurou os EUA para propor negociações sobre um acordo nuclear. A declaração surge após o republicano ter ameaçado tomar medidas em resposta à repressão violenta aos protestos no país, que já resultaram em um número de mortos que ultrapassa 500 pessoas.
Em declarações a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump indicou que seu governo estava em negociações para agendar um encontro com Teerã. Contudo, ele alertou que pode ser necessário agir primeiro, dada a escalada da violência contra manifestantes e o aumento do número de mortos.
Segundo um grupo de ativistas que monitora a situação no Irã, o número de mortos nos protestos generalizados ultrapassou 500 no domingo. Enquanto organizações não governamentais denunciam um “massacre”, a polícia iraniana admitiu ter “escalado” sua resposta aos protestos.
Tensões aumentam com ameaças de retaliação iraniana
O Irã, por sua vez, ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso seja alvo de um bombardeio norte-americano. Essa declaração foi feita após Donald Trump ameaçar intervir na crise interna iraniana se o regime continuasse a reprimir manifestantes pacíficos. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que, em caso de ataque ao Irã, “os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.
No sábado, Trump reiterou suas ameaças, declarando que o Irã estava “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estavam “prontos para ajudar”. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes, pedindo que a população se mantivesse distante de “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país.
Repressão e números alarmantes de mortos e presos
O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, informou à Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, sendo 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas. Outras ONGs de direitos humanos também relatam mortes e denunciam um “massacre em curso no Irã em meio a um apagão da internet”, segundo o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI). Há relatos de “assassinatos em massa” pelas forças de segurança, com estimativas que chegam a até duas mil mortes.
O governo iraniano não divulga números oficiais e culpa os EUA e Israel por incitarem os protestos. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, confirmou que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”. A Guarda Revolucionária do Irã enfatizou que a proteção da segurança nacional é inegociável.
Contexto histórico e isolamento internacional
Em 2017, Trump retirou os EUA de um acordo nuclear com o Irã, que limitava o uso de material nuclear por Teerã em troca do fim das sanções econômicas. Desde então, Teerã voltou a enriquecer urânio a níveis superiores aos necessários para fins energéticos, embora sem evidências de proximidade com o desenvolvimento de uma bomba nuclear. Em junho de 2025, os EUA bombardearam instalações de pesquisa nuclear iranianas em meio ao conflito com Israel.
As manifestações atuais no Irã são as maiores desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini. O país enfrenta um momento de fragilidade após a guerra com Israel e golpes sofridos por aliados regionais. Em setembro, a ONU restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear iraniano, aumentando o isolamento internacional do país. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, declarou que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos, classificando os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.