Presidente Trump desafia a Constituição ao sugerir nacionalização das eleições americanas, gerando forte reação.

À medida que as eleições de meio de mandato se aproximam nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem levantado uma questão polêmica: a possibilidade de o governo federal assumir a organização e supervisão do processo eleitoral, retirando essa atribuição dos estados.

Essa tese, defendida pelo presidente sem apresentação de evidências concretas, tem sido associada à narrativa de fraude eleitoral, especialmente em estados governados por democratas. Trump alega que a permissão para imigrantes sem documentos votarem compromete a integridade do pleito.

“Se não os expulsarmos, os republicanos nunca mais ganharão uma eleição. Deveríamos assumir o controle da votação em pelo menos 15 locais. Os republicanos deveriam nacionalizar o sistema eleitoral”, declarou o presidente, embora sem especificar os locais mencionados. Essa declaração, conforme apurado, parece direcionada a estados sob controle da oposição, onde o governo federal já enviou forças de segurança e agentes de imigração. A apreensão do presidente, ligada à retórica de fraude, coincide com pesquisas que indicam possíveis perdas republicanas no Congresso e com a recente derrota em uma vaga no Senado estadual do Texas. Conforme informação divulgada por fontes jornalísticas, a Constituição americana estabelece que a organização das eleições de congressistas é de responsabilidade de cada estado, com o Congresso podendo alterar regulamentos, exceto para a eleição de senadores.

A base legal da disputa: o que diz a Constituição dos EUA

A Constituição dos Estados Unidos é clara ao delegar aos estados a prerrogativa de definir os horários, locais e métodos de realização das eleições para o Congresso. Apenas em circunstâncias específicas, o Congresso federal pode intervir, alterando esses regulamentos, com exceção para a escolha de senadores. A proposta de Trump de nacionalizar as eleições, portanto, não encontra amparo legal nos princípios do federalismo estabelecidos pelo documento.

Rejeição bipartidária à interferência federal nas eleições

A ideia de nacionalizar as eleições americanas tem enfrentado forte oposição tanto entre republicanos quanto entre democratas. Figuras proeminentes do Partido Republicano, como os presidentes da Câmara e do Senado, Mike Johnson e John Thune, respectivamente, já rejeitaram a possibilidade de federalizar o pleito. Eles entendem que a proposta de Trump contraria a estrutura constitucional do país.

Democratas reagem com indignação e acusações de ilegalidade

Do lado democrata, o apelo do presidente Trump para interferir no processo eleitoral foi recebido com revolta. Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado, questionou a compreensão de Trump sobre a Constituição, classificando suas declarações como “absurdamente ilegais”. A preocupação democrata é que essa tentativa de interferência seja um esforço para proteger as maiorias republicanas no Congresso e garantir a governabilidade nos próximos anos.

Contexto político: eleições de meio de mandato e a retórica da fraude

A insistência de Donald Trump em nacionalizar as eleições ocorre em um momento delicado, com as eleições de meio de mandato se aproximando. Pesquisas de opinião indicam que os republicanos podem perder o controle da Câmara e do Senado. A derrota recente de um candidato republicano em uma vaga no Senado estadual do Texas, para um democrata, também intensificou a apreensão do presidente e sua retórica sobre fraude eleitoral, alimentando o debate sobre a autonomia estadual na condução dos pleitos.