Trump e Alemanha sinalizam apoio aos protestos no Irã em meio a crescentes tensões e relatos de repressão violenta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um apelo direto aos manifestantes no Irã, incentivando-os a prosseguir com os protestos e afirmando que “a ajuda está a caminho”. Esta é a primeira comunicação pública do presidente americano direcionada aos que se manifestam no país, em meio a uma escalada de tensões e ameaças de intervenção caso a repressão violenta persista.
Paralelamente, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, expressou a opinião de que o regime iraniano, liderado pelos aiatolás desde 1979, pode estar em seus “últimos dias e semanas”. Merz interpretou o uso da força pelas autoridades de segurança como um sinal de perda de poder e confiança por parte do governo, afirmando que regimes que dependem apenas da violência para se manter tendem ao fim.
As declarações surgem em um momento crítico, com relatos de fontes iranianas indicando um número elevado de mortos nos protestos, que evoluíram de reclamações econômicas para um clamor pela queda da República Islâmica. Conforme informações divulgadas pela agência de notícias Reuters, cerca de 2.000 pessoas já teriam morrido, com relatos de forças de segurança atirando diretamente contra os manifestantes.
Apoio internacional aos manifestantes e críticas ao regime iraniano
A mensagem de Donald Trump representa uma nova fase na postura dos Estados Unidos em relação aos protestos. O presidente americano já havia ameaçado realizar ataques diretos ao território iraniano como retaliação a possíveis repressões violentas, elevando o nível de confronto entre os dois países. A promessa de “ajuda” ainda não teve detalhes divulgados, mas sinaliza um forte apoio externo aos manifestantes.
Friedrich Merz, em visita à Índia, destacou que a repressão violenta demonstra a fragilidade do regime dos aiatolás. “Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime”, declarou o chanceler alemão. Ele também mencionou que a Alemanha está em contato com os Estados Unidos e outros governos europeus para discutir a situação no Irã.
Relações comerciais e a influência alemã no Irã
A Alemanha, que é a principal parceira comercial do Irã dentro da União Europeia, tem sua relação com Teerã em declínio. Dados recentes mostram uma queda de 25% nas exportações alemãs para o Irã nos primeiros onze meses do ano, representando menos de 0,1% do total das exportações alemãs. Essa diminuição pode ser influenciada pelas sanções e pela política externa dos EUA, que ameaçam com tarifas de 25% qualquer país que negocie com o Irã.
Apesar da importância comercial histórica, a Alemanha tem se posicionado de forma crítica em relação à repressão no Irã, pedindo o fim da violência contra os manifestantes. Merz, no entanto, não comentou diretamente os laços comerciais durante sua declaração, focando na análise política da situação e no enfraquecimento do regime.
Protestos evoluem com queixas econômicas e pedidos de mudança de regime
As manifestações no Irã, que começaram com queixas sobre a crise econômica, transformaram-se em um movimento mais amplo, com pedidos pela queda da República Islâmica. O regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução de 1979, enfrenta agora um desafio significativo à sua autoridade, impulsionado pela insatisfação popular com a gestão econômica e a falta de liberdades.
A situação no Irã continua tensa, com a comunidade internacional observando atentamente os desdobramentos e a resposta do regime à crescente pressão interna e externa. A possibilidade de intervenção ou de novas sanções por parte dos Estados Unidos adiciona mais um elemento de incerteza ao cenário.