O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um ambicioso “conselho da paz”, peça-chave em seu plano para encerrar o conflito na região palestina. A iniciativa, que busca redefinir a governança e a reconstrução em Gaza, já enviou convites a diversas lideranças mundiais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo informações divulgadas, o projeto de estatuto do conselho prevê mandatos de três anos para seus membros. No entanto, uma exceção notável é destinada àqueles que realizarem doações de US$ 1 bilhão em dinheiro vivo, que poderiam obter cargos vitalícios. Trump descreveu o órgão como “o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, ressaltando sua importância estratégica.
O convite a Lula coloca o presidente brasileiro em uma encruzilhada diplomática. Com uma postura crítica histórica às operações militares de Israel em Gaza e defensor de um cessar-fogo imediato e da criação de um Estado palestino, sua participação em uma iniciativa liderada pelos EUA, principal aliado de Israel, pode gerar questionamentos sobre coerência. A decisão sobre aceitar ou recusar o convite ainda não foi tomada e deve ser avaliada na próxima semana, segundo fontes próximas ao governo brasileiro. A Casa Branca detalha que o conselho discutirá temas como fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução e atração de investimentos para Gaza.
Lula em xeque: Críticas a Israel versus aproximação com Trump
A posição de Lula em relação ao conflito em Gaza tem sido consistentemente crítica às ações de Israel. O presidente brasileiro tem defendido publicamente um cessar-fogo imediato e a formação de um Estado palestino independente. Essa linha de atuação, expressa em discursos e fóruns internacionais, contrasta diretamente com o apoio de Trump ao governo israelense.
Aceitar o convite para o “conselho da paz” pode forçar Lula a justificar sua participação, dada a sua retórica anterior. A iniciativa americana, que não está diretamente vinculada à ONU, levanta questões sobre a abordagem diplomática preferencial do Brasil, que costuma defender o papel central das Nações Unidas na mediação de conflitos.
Convite a líderes globais e a estrutura do conselho
Além de Lula, o presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou ter recebido o convite e expressou honra em participar. O conselho será presidido pelo próprio Donald Trump e contará com a participação de figuras como o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional, também foram convidados.
A Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza será dirigida pelo major-general americano Jasper Jeffers, com a missão de garantir a segurança e treinar uma nova força policial para atuar no território, sucedendo ao Hamas. O foco do conselho, conforme a Casa Branca, será em questões de governança, relações regionais, reconstrução e financiamento em larga escala.
Custos diplomáticos de uma recusa
Por outro lado, a recusa de Lula ao convite também pode acarretar custos diplomáticos. Trump busca apoio internacional para legitimar sua iniciativa, e a ausência de um líder influente como o brasileiro pode ser interpretada como uma desaprovação. A aproximação entre Brasil e EUA tem sido notada em outras esferas, e um gesto de distanciamento neste contexto pode ter repercussões.
Setores da comunidade internacional também podem ver com ressalvas a recusa brasileira em participar de um fórum voltado à reconstrução de Gaza, especialmente considerando o histórico discurso do Brasil em defesa do multilateralismo e da paz. A decisão de Lula, portanto, envolve um cuidadoso balanço entre seus princípios diplomáticos e as complexas relações internacionais vigentes.