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Trump Erra ao Dizer que EUA “Devolveram” Groenlândia à Dinamarca Após 2ª Guerra Mundial; Entenda o Acordo de 1941

Trump Erra ao Dizer que EUA “Devolveram” Groenlândia à Dinamarca Após 2ª Guerra Mundial; Entenda o Acordo de 1941

Donald Trump se engana sobre a Groenlândia durante discurso em Davos, afirmando que os EUA “devolveram” a ilha à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial. A declaração, no entanto, não corresponde aos fatos históricos e aos acordos firmados entre as nações.

Em sua fala no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou sua visão sobre a Groenlândia, alegando que o país a protegeu durante a Segunda Guerra Mundial e a devolveu posteriormente à Dinamarca. Essa afirmação, contudo, é factualmente incorreta e desconsidera os termos dos acordos históricos entre as nações.

A Groenlândia, território dinamarquês desde 1814, tornou-se um ponto estratégico durante o conflito mundial. Em 1940, com a Dinamarca ocupada pela Alemanha nazista, os Estados Unidos firmaram um acordo com representantes dinamarqueses no exílio, visando a proteção da ilha e a instalação de bases militares.

Esse acordo, conhecido como “Defesa da Groenlândia”, assinado em 1941, garantia a presença militar americana e a construção de infraestruturas, mas em nenhum momento previa a transferência de posse da ilha aos EUA. A soberania dinamarquesa sempre foi reconhecida, conforme detalhado em documentos oficiais. Conforme informação divulgada pelo g1, a história real por trás da relação EUA-Groenlândia durante a guerra é diferente do que Trump apresentou.

O Acordo de Defesa: Proteção, Não Posse

O acordo de 1941, acessível no site govinfo.gov, do Government Publishing Office (GPO) dos EUA, deixa claro o escopo da colaboração. O primeiro artigo do documento afirma explicitamente: “O governo dos Estados Unidos da América reitera seu reconhecimento e respeito pela soberania do Reino da Dinamarca sobre a Groenlândia”.

O texto prossegue, explicando que, devido ao perigo de agressão contra o continente americano, os EUA assumiam a responsabilidade de auxiliar a Groenlândia, em conformidade com o Ato de Havana de 1940. Isso demonstra que a ação americana era de caráter defensivo e de apoio, e não de aquisição territorial.

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Tentativa de Compra e Novos Acordos

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946, o governo do presidente Harry Truman fez uma proposta formal de US$ 100 milhões em ouro para comprar a Groenlândia da Dinamarca, mas a oferta foi rejeitada.

Posteriormente, em 1951, um novo acordo foi assinado entre Estados Unidos e Dinamarca, que consolidou a presença militar americana na ilha e reafirmou a soberania dinamarquesa. Este acordo foi revisado em 2009 para incluir os interesses da população local.

Groenlândia: Importância Estratégica e o “Domo de Ouro”

A Groenlândia, com seus 2.166.000 km², é estrategicamente localizada entre os EUA e a Rússia, sendo de grande importância para a segurança do Ártico. Trump tem demonstrado interesse em anexar a ilha, alegando que o controle do território seria crucial para os interesses de segurança nacional dos EUA, mencionando a instalação de um sistema de defesa antimísseis conhecido como “Domo de Ouro”.

Apesar de os EUA possuírem uma base militar na ilha, sua presença militar diminuiu drasticamente desde o auge da Guerra Fria, quando contavam com cerca de 10 mil militares, para menos de 200 atualmente. A relação atual, regida pelo acordo de 1951 e suas revisões, continua a reconhecer a soberania dinamarquesa, com cooperação em matéria de defesa e segurança.

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