Trump Abandona Plano de Fundo de US$ 1,8 Bilhão para Indenizar Aliados Políticos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu **abandonar a criação de um fundo bilionário** destinado a indenizar indivíduos que se sentem perseguidos politicamente. A iniciativa, batizada de “fundo anti-instrumentalização”, previa a destinação de quase US$ 1,8 bilhão em verbas públicas.

O plano surgiu como parte de um acordo judicial entre o Departamento de Justiça de Trump e a Receita Federal (IRS), que encerrou um processo movido pelo ex-presidente contra o órgão fiscalizador. Trump buscava US$ 10 bilhões por suposta má gestão de suas declarações de imposto de renda.

No entanto, o anúncio do fundo gerou uma **onda de críticas**, inclusive de colegas republicanos, que expressaram preocupação com a possibilidade de favorecimento a aliados políticos e até mesmo a apoiadores radicais envolvidos na invasão do Capitólio em janeiro de 2021. Conforme informado pelo site Axios, um alto funcionário do governo teria dito que o fundo “está morto por enquanto”.

Acordo com a Receita e Críticas ao Fundo

O acordo entre Trump e a IRS não se limitou à criação do fundo. Ele também previu o **fim de auditorias e cobranças fiscais** contra Trump, seus familiares e empresas do grupo Trump, além de um pedido formal de desculpas ao presidente. A verba de quase US$ 1,8 bilhão seria utilizada para compensar vítimas de “instrumentalização” política, utilizando dinheiro dos contribuintes.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, explicou que o fundo criaria um processo legal para que pessoas que alegam perseguição política pudessem apresentar pedidos de reparação financeira. Uma comissão de cinco integrantes, indicada por Blanche, seria responsável por avaliar esses pedidos, com o presidente tendo poder para substituir membros do grupo. O programa estava previsto para funcionar até dezembro de 2028.

Preocupações com Beneficiários e “Caixa Político”

A falta de divulgação de nomes de possíveis beneficiários e critérios detalhados para receber indenizações aumentou as preocupações. Analistas citaram casos de investigações contra aliados de Trump durante o governo do ex-presidente Joe Biden, incluindo aqueles ligados à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, na qual mais de 1.500 pessoas foram acusadas.

Questionado sobre a possibilidade de participantes do ataque ao Capitólio receberem pagamentos, Trump afirmou que a decisão caberia ao comitê responsável pelo fundo. Entre aliados investigados que poderiam buscar compensação estão figuras como o ex-estrategista Steve Bannon e o ex-assessor comercial Peter Navarro, ambos condenados por desacato ao Congresso.

Reações de Parlamentares e Organizações de Ética

Parlamentares democratas e organizações de ética pública reagiram fortemente ao plano. A deputada Jamie Raskin, principal democrata do Comitê Judiciário da Câmara, alertou que a medida poderia abrir caminho para a criação de um “caixa político” financiado por contribuintes. A senadora Elizabeth Warren classificou a iniciativa como “corrupção em nível extremo” e propôs um projeto de lei para impedir que presidentes se beneficiem financeiramente de acordos com o governo.

O governo Trump, por sua vez, defendeu o fundo como uma forma de reparar o que o presidente considera como uso político do Departamento de Justiça contra ele e seus aliados durante a gestão de Joe Biden. A controvérsia em torno do “fundo anti-instrumentalização” destaca as tensões políticas e as preocupações éticas que cercam o uso de verbas públicas e acordos governamentais.