Trump culpa Noruega por não ganhar Nobel da Paz e ameaça Europa com tarifas; Groenlândia na mira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, expressando descontentamento por não ter sido laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2025. Segundo a misiva, obtida pela agência Reuters, essa decisão o levaria a não se sentir mais “obrigado a pensar apenas na paz”, direcionando seu foco para os interesses americanos.
A declaração de Trump surge em um contexto de crescentes tensões com a Europa, especialmente em relação à Groenlândia. O presidente americano tem reiterado sua intenção de anexar o território, alegando que a Dinamarca falha em protegê-lo de ameaças externas, como Rússia e China.
Em resposta às potenciais objeções europeias, Trump anunciou a imposição de tarifas significativas sobre mercadorias de oito países europeus. Essa medida, que entrará em vigor em fevereiro de 2026, visa pressionar as nações a aceitarem os planos dos EUA para a Groenlândia. A Noruega, que se opôs às tarifas, considerou a decisão “inaceitável”.
Trump alega que Noruega impediu sua vitória no Nobel da Paz
Na carta enviada ao premiê norueguês, Donald Trump explicitou seu descontentamento: “Caro Jonas: Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado 8 guerras, além de outras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue sendo predominante —, e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América.” A informação foi divulgada pela agência Reuters.
Groenlândia é vista como vital para escudo antimísseis americano
Trump justificou sua intenção de controlar a Groenlândia, argumentando que o território é “vital” para a construção do “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis que ele planeja para a defesa dos EUA. Ele questionou o “direito de propriedade” da Dinamarca sobre a ilha, citando a falta de documentos escritos e argumentando que os EUA também tiveram “barcos que desembarcaram lá”.
Apesar de os EUA já possuírem uma base militar na Groenlândia, a presença foi drasticamente reduzida. Em resposta às ameaças de Trump, países como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas para a ilha, aumentando a escalada de tensões com a Otan.
Tarifas de até 25% podem afetar oito países europeus
O presidente americano anunciou, via rede social, que uma tarifa de 10% será aplicada a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se oponham aos planos dos EUA. “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, informou Trump.
Ele ainda declarou que as tarifas serão cobradas até que um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia” seja alcançado. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, já manifestou que o anúncio de tarifas é “inaceitável”, conforme relatado pela Reuters.
Trump alega que Otan precisa agir em favor dos EUA
Em sua carta, Trump também expressou que fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde sua fundação e que a aliança militar deveria, agora, “fazer algo pelos Estados Unidos”. Ele enfatizou que “o mundo não estará seguro a menos que tenhamos controle completo e total da Groenlândia”.
O presidente americano afirmou, ainda, que a Dinamarca falhou em “afastar a ameaça russa da Groenlândia”, e que “agora é a hora, e isso será feito!”. A declaração reforça a determinação de Trump em obter controle sobre o território ártico, elevando o nível de incerteza nas relações internacionais.