Trump cogita seriamente saída dos EUA da Otan, chamando aliança de “tigre de papel” em meio a tensões com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que está considerando “seriamente” a retirada do país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A declaração ocorreu durante uma entrevista ao jornal britânico The Telegraph, nesta quarta-feira (1º).

As críticas de Trump à Otan não são novas, mas ganham força em um momento de crescente tensão internacional, especialmente após o recente conflito com o Irã. O presidente americano expressou sua frustração com aliados europeus, que, segundo ele, não ofereceram o suporte necessário aos EUA na guerra.

Essa postura de Trump sinaliza uma possível mudança significativa na política externa americana em relação à Europa, indicando que a Casa Branca pode não mais considerar o continente um parceiro confiável em questões de defesa militar. Acompanhe os detalhes dessa declaração e as reações que ela gerou.

Críticas diretas à Otan e a expressão “tigre de papel”

Questionado pelo The Telegraph sobre a possibilidade de reconsiderar a permanência dos EUA na Otan após o conflito com o Irã, Donald Trump foi enfático: “Sim, eu diria que isso está em um nível além da reconsideração”. Ele reiterou sua visão de longa data sobre a aliança, chamando-a novamente de “tigre de papel”, uma expressão que define algo que aparenta ser forte, mas é, na realidade, frágil.

Trump afirmou que “nunca foi convencido pela Otan” e que “sempre soube que eram um tigre de papel”. Segundo ele, o presidente russo, Vladimir Putin, também compartilha dessa percepção. Esta é a declaração mais contundente do presidente americano sobre a Otan até o momento, intensificando o debate sobre o papel e a eficácia da aliança.

Aliados europeus recusam apoio e causam atrito

O principal ponto de discórdia levantado por Trump reside na recusa de diversos países da Otan e outros aliados em enviar navios de guerra para auxiliar na reabertura do Estreito de Ormuz. Essa via marítima é crucial para o comércio mundial de petróleo e foi fechada pelo Irã no início da guerra.

Apesar da insatisfação americana, a Otan já informou que está trabalhando na formação de uma coalizão de países para conduzir uma operação conjunta com o objetivo de reabrir o estreito. A situação expõe as “novas rachaduras” entre Washington e seus aliados europeus, conforme apontado pela própria reportagem.

Reino Unido defende a Otan, mas se distancia do conflito

Em resposta às declarações e à situação, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, defendeu a importância da Otan. Em coletiva de imprensa, ele afirmou que “A Otan é a aliança militar mais forte que o mundo já viu, ela nos manteve seguros durante décadas”.

No entanto, Starmer também ressaltou a posição do Reino Unido em relação ao conflito com o Irã, declarando que “a guerra do Irã não é nossa guerra e não seremos arrastados para ela”. Ele anunciou que o Reino Unido liderará, nesta semana, uma reunião com países interessados em contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz, buscando uma solução diplomática e operacional para a crise.