Guerra entre EUA e Irã escala com ameaças de intervenção e ataques no Estreito de Ormuz

O conflito entre os Estados Unidos e o Irã caminha para o fim de sua primeira semana com crescentes incertezas, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. O Irã declarou ter derrubado um petroleiro americano, elevando a tensão na região. O presidente Donald Trump sinalizou uma intervenção direta na escolha do futuro líder supremo iraniano, uma tática que remete à abordagem americana em relação à Venezuela no início do ano.

Essa escalada ocorre após bombardeios atribuídos aos EUA e Israel em Teerã, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas de alto escalão no sábado, dia 28. Em resposta, o Irã prometeu vingança e iniciou retaliações contra Israel e países do Oriente Médio que sediam bases norte-americanas. A mídia estatal iraniana reportou um aumento no número de mortos na ofensiva, atingindo 1.230 pessoas.

Conforme informações divulgadas, Donald Trump afirmou ao site americano Axios que os Estados Unidos precisam “se envolver pessoalmente” na definição do próximo líder supremo do Irã. Ele expressou o desejo de participar do processo sucessório para garantir que o futuro líder seja “ótimo para o povo, ótimo para o país”. Essa postura se assemelha à intervenção americana na Venezuela no início de 2026, que visava a deposição do então presidente Nicolás Maduro.

A “Operação Venezuela” e suas semelhanças com o Irã

No caso venezuelano, a Casa Branca implementou um cerco militar, enviando o porta-aviões USS Gerald Ford para águas internacionais no Mar do Caribe. Oficialmente, a operação buscava combater redes de narcotráfico. Nicolás Maduro foi capturado em 3 de janeiro e está detido nos Estados Unidos, enquanto o governo interino negociava com Trump o futuro do país. Curiosamente, o USS Gerald Ford foi posteriormente enviado ao Oriente Médio em fevereiro, coincidindo com a intensificação da pressão de Trump sobre o Irã.

Trump considera “inaceitável” sucessão por filho de Khamenei e foca em “acabar com o Irã”

Trump também declarou considerar “inaceitável” a possibilidade de Mojtaba Khamenei, filho do falecido aiatolá Ali Khamenei, assumir a liderança suprema do Irã. Em um discurso posterior, o presidente americano afirmou que os EUA priorizarão “acabar com o Irã primeiro”, antes de abordar a situação em Cuba, classificando o desfecho como “questão de tempo”.

A mídia estatal iraniana reportou que forças da Guarda Revolucionária atingiram um navio com bandeira dos Estados Unidos no norte do Golfo Pérsico, embora o governo americano ainda não tenha se pronunciado sobre o incidente ou divulgado o nome da embarcação. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, advertiu que os EUA “vão se arrepender amargamente” por terem afundado um navio de guerra iraniano.

Guarda Revolucionária afirma controle do Estreito de Ormuz e ataques a navios se multiplicam

A Guarda Revolucionária iraniana declarou ter “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico vital para o comércio mundial de petróleo, por onde transita cerca de um quinto do consumo global do produto. Incidentes recentes incluem o ataque ao navio Skylight, de bandeira do Palau, atingido por um projétil perto da costa de Omã, ferindo quatro tripulantes. No domingo, 1º, o MKD VYOM, com bandeira das Ilhas Marshall, foi alvejado por drone, resultando na morte de um tripulante e incêndio na sala de máquinas.

Na segunda-feira, 2, o navio Athe Nova, de bandeira de Honduras, foi atingido por dois drones e incendiou-se. Esses eventos ocorrem em meio a uma escalada de tensões que também afeta o Líbano, onde ataques de Israel deixaram mais de 100 mortos e 638 feridos desde segunda-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Alertas de evacuação emitidos pelo exército israelense provocaram pânico e fuga de moradores nos subúrbios do sul de Beirute.

O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, em seu primeiro pronunciamento desde a retomada dos confrontos, assegurou que o grupo continuará lutando “independentemente dos sacrifícios”. Paralelamente, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, informou ter recebido um pedido dos EUA para apoio no combate a drones de origem iraniana no Oriente Médio. Trump reiterou sua disposição em aceitar ajuda de qualquer país na ofensiva contra o Irã e pressionou Zelensky a negociar um acordo com a Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia.

Adicionalmente, um ataque de drone foi registrado no Azerbaijão, atingindo um aeroporto e uma escola. O Azerbaijão acusou o Irã de realizar o ataque e convocou o embaixador iraniano, embora o governo iraniano tenha negado o envolvimento, segundo a mídia estatal do país.