Amazonas Soluciona 70% dos Casos de Desaparecimento em 2025, Mas Angústia Persiste para Famílias Sem Respostas

O ano de 2025 apresentou um cenário preocupante no Brasil, com mais de 84 mil pessoas desaparecidas, o maior número já registrado desde 2015. No Amazonas, foram 982 casos. Apesar de um índice de solução de aproximadamente 70% no estado, a realidade para muitas famílias é de dor e incerteza, com casos antigos ainda sem desfecho.

A busca por respostas é uma jornada árdua e prolongada para pais, mães e parentes que convivem com a ausência. A esperança de reencontro se mistura à angústia de não saber o paradeiro de seus entes queridos, uma realidade que reflete a situação de milhares de brasileiros.

Conforme divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), 70% dos desaparecimentos de pessoas com mais de 18 anos registrados em 2025 foram solucionados. No entanto, os casos restantes, somados aos de anos anteriores, continuam em investigação, mantendo a chama da esperança acesa para aqueles que ainda aguardam notícias. A investigação policial, segundo a delegada Alynne Lima, só é encerrada quando o desaparecido é localizado.

A Dor de Quem Espera: O Caso de Lucas Souza da Silva

Um exemplo pungente dessa realidade é o de Lucas Souza da Silva, desaparecido desde 8 de agosto de 2019. Quase sete anos se passaram sem qualquer notícia, um período que tem sido dilacerante para sua mãe, Laurenize Souza. “Eu falei pra quando ele terminar o serviço, ir para a irmã e ele disse que ia para lá. A noite eu liguei para ela e perguntei ‘o Lucas está aí’? e ela falou que não. Foi quando a gente começou a procurar”, relembra Laurenize, em um relato que ecoa a dor de incontáveis famílias.

Desaparecimentos de Menores: Conflitos Familiares e Retornos

No Amazonas, os desaparecimentos de menores de 17 anos são investigados pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). A delegada Mayara Magna explica que o perfil mais comum é de adolescentes que se ausentam de casa após conflitos familiares. “Geralmente o adolescente briga com a família, se revolta, há um conflito familiar naquele lar. Geralmente eles vão para casa de amigos ou parentes e, depois que aquele conflito é resolvido, eles acabam retornando para casa”, afirma Magna.

Magna ressalta que, atualmente, não há crianças ou adolescentes desaparecidos sem serem encontrados no estado, indicando que os casos na Depca são, em sua maioria, mais antigos. A rápida ação e a resolução desses casos, muitas vezes por meio do retorno voluntário após a resolução de conflitos, contribuem para o alto índice de solução no estado.

Adultos Desaparecidos: Voluntários e Involuntários

Os casos de desaparecimento envolvendo adultos são de responsabilidade da Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops). A delegada Alynne Lima aponta que existem dois tipos principais de desaparecimento: voluntário e involuntário. Nos casos voluntários, as pessoas saem de casa por diversos motivos, mas geralmente retornam ou dão algum sinal de vida.

Já os desaparecimentos involuntários podem estar ligados a crimes, como latrocínio ou homicídio. Lima destaca que a maior parte dos desaparecidos em geral são homens, na faixa etária de 18 a 35 anos. A polícia reforça a importância de comunicar qualquer desaparecimento ou mudança repentina de rotina imediatamente, sem a necessidade de esperar 24 horas.

O Fantasma do Crime Organizado e a Busca por Respostas

Em nível nacional, especialistas como o professor e pesquisador de sociologia José Cláudio apontam o aumento do crime organizado como um possível fator para o crescimento dos números de desaparecimentos. Em alguns casos, as vítimas são mortas e seus corpos sequer são encontrados, aumentando a angústia das famílias.

Para os casos em andamento, a SSP-AM informa que a investigação prossegue. Em situações específicas, a requisição de coleta de DNA dos familiares é feita para futuros confrontos, caso ossadas sejam encontradas. Essa medida visa oferecer alguma esperança de identificação e, consequentemente, de encerramento para a dor da incerteza.

Enquanto a polícia trabalha para solucionar os casos, famílias como a de Laurenize seguem à espera. A saudade do filho Lucas aumenta a cada dia, mas a esperança de revê-lo permanece viva. “Pra mim ele vai chegar. Eu tenho aqui na minha mente como ele me chamava. Eu não sei, mas eu tenho muita esperança de que meu filho apareça. Eu tenho, mas só Deus sabe onde ele está e o que fizeram com ele”, desabafa, em um misto de fé e desespero.