Tabata Amaral defende projeto contra antissemitismo e critica ‘ódio arraigado’ na esquerda, divergindo de críticas ao governo de Israel

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) tem defendido enfaticamente um projeto de lei destinado ao combate ao antissemitismo no Brasil. Durante sua visita a Washington, a parlamentar buscou esclarecer que a proteção à comunidade judaica brasileira não deve ser confundida com críticas às políticas do atual governo de Israel, classificando a gestão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu como “criminosa” e defendendo a denúncia de crimes de guerra.

A proposta, que tem gerado debates entre especialistas, visa avançar na proteção da comunidade judaica, mas também levanta preocupações sobre a liberdade de expressão. O principal ponto de discórdia reside na conceituação do antissemitismo, que pode abranger manifestações direcionadas ao Estado de Israel, visto como uma coletividade judaica, ou comparações de suas políticas com as do nazismo.

Em declarações recentes, Tabata Amaral lamentou os ataques que recebeu e criticou a “confusão” em torno do tema. “De fato, existe o antissemitismo no Brasil. De fato, existe um ódio arraigado que está localizado em uma parte da esquerda”, afirmou a deputada, sem nomear indivíduos ou grupos específicos, destacando a necessidade de combater esse tipo de ódio com a mesma coragem empregada contra o racismo e a misoginia.

Combate ao ódio: Coerência e informação como armas

Tabata Amaral ressaltou a importância de ter a mesma coragem para denunciar o antissemitismo que se tem para combater o racismo, o machismo e os crimes cometidos por líderes políticos. “Na minha opinião, não dá para escolher quais seres humanos merecem o nosso respeito e quais não merecem”, declarou, lamentando que a luta por direitos pareça ter se tornado “seletiva” para alguns grupos.

A deputada criticou a falta de coerência em lideranças políticas que, ao mesmo tempo em que se posicionam contra a misoginia, reproduzem ódio quando o público-alvo é diferente. Ela defende que o combate a essas formas de ódio deve ser feito com informação, como busca o projeto, e não com mais ódio. A proposta, construída com apoio de parlamentares de diversos partidos, incluindo PT e Rede, foca em políticas educacionais para prevenir o antissemitismo.

Projeto sobre antissemitismo: Divergências e apoio político

A iniciativa legislativa contou com o apoio inicial de deputados de diferentes espectros políticos, como Kim Kataguiri (Missão-SP), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), Otoni de Paula (MDB-RJ), Gilvan da Federal (PL-ES) e Heloísa Helena (Rede-RJ). No entanto, houve pedidos de retirada de assinaturas por parte de congressistas, especialmente do PT, como Heloísa Helena, Reginaldo Veras (PV-DF), Welter (PT-PR), Vander Loubet (PT-MS), Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), Luiz Couto (PT-PB), Ana Paula Lima (PT-SC) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Parlamentares como Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticaram a proposta nas redes sociais, classificando-a como “um grande absurdo” e argumentando que ela visa criminalizar críticas ao Estado de Israel sob o pretexto de combater o antissemitismo. A deputada Tabata Amaral, contudo, insiste na distinção entre o antissemitismo e a crítica a governos ou políticas específicas de Israel.

Regulação de Big Techs e combate à desinformação

Em outro momento de sua visita a Washington, Tabata Amaral abordou a necessidade de uma regulação rigorosa das big techs. Ela alertou que algoritmos e financiamentos obscuros podem distorcer a soberania nacional e agravar o cenário de desinformação, especialmente em períodos eleitorais. A parlamentar mencionou o alinhamento político entre figuras como Donald Trump e a família Bolsonaro como um ponto de atenção.

Amaral defende que a falta de transparência nas plataformas digitais permite que conteúdos políticos sejam propagados sem que os eleitores saibam que estão diante de publicidade paga. Ela citou as denúncias que formalizou contra a candidatura de Pablo Marçal em 2024, classificando o uso de recursos não declarados para impulsionamento como “caixa dois digital”, e reiterou que a neutralidade das plataformas é um pilar fundamental para a defesa contra intervenções estrangeiras.