Golpe do falso banco rouba economias de mulher na Flórida: entenda como a engenharia social financeira age e como se proteger
Uma ligação matinal transformou o sonho da casa própria em um pesadelo financeiro para Dahiana Ponce, de 32 anos, em Plant City, na Flórida (EUA). Acreditando estar protegendo suas economias de uma suposta fraude, ela foi convencida por golpistas a transferir mais de US$ 50 mil (cerca de R$ 250 mil) para contas controladas por criminosos que se passavam por funcionários do banco Chase. O caso ilustra uma das táticas de fraude que mais crescem atualmente e serve de alerta sobre os perigos da engenharia social financeira.
Tudo começou em 9 de julho, quando Ponce atendeu uma ligação de um número que parecia ser do seu banco, o Chase. A voz do outro lado da linha, usando jargão bancário, informou sobre transações fraudulentas em suas contas. Para supostamente proteger o dinheiro, os golpistas a instruíram a mover seus fundos para uma “conta segura” fornecida por eles. Acreditando estar falando com a equipe de segurança do banco, Ponce seguiu as instruções, iniciando com uma transferência de US$ 4.524,13 via Cash App.
Em seguida, a vítima foi instruída a esvaziar sua conta corporativa, retirando US$ 45.803. No total, os criminosos levaram mais de US$ 50 mil. Os golpistas ainda tentaram pressioná-la a fazer uma terceira transferência, via PIX americano (wire transfer), no valor de US$ 25 mil, mas desistiram após enviarem um e-mail falso com o logotipo do Chase para “cancelar” a solicitação. “Eu queria comprar uma casa, sabe, começar a formar minha própria família. Sim, esse era o plano”, lamentou Ponce em entrevista à emissora local WFLA.
A dificuldade em recuperar o dinheiro e o embate de responsabilidades
Recuperar o dinheiro nesses casos é extremamente difícil. Diferente de uma compra não autorizada no cartão de crédito, transferências feitas voluntariamente, mesmo sob engano, não possuem o mesmo nível de proteção bancária. Como Dahiana Ponce autorizou e movimentou o dinheiro, o banco tem limitações legais e operacionais para reverter o quadro. No entanto, há um embate sobre o que aconteceu na agência durante o saque dos US$ 45 mil.
O Chase afirma que seus funcionários fizeram diversas perguntas à cliente antes de liberar a transação, questionando o propósito do saque e tentando alertá-la sobre possíveis golpes. Contudo, Ponce contesta a declaração do banco, afirmando: “Eles não me disseram nada, apenas me deixaram sacar o dinheiro.” Após o caso ganhar atenção da mídia, o banco entrou em contato com a vítima novamente e prometeu investigar o ocorrido.
Golpes de falsidade ideológica se tornam epidemia bilionária
A história de Dahiana Ponce está longe de ser um caso isolado. Segundo a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), os golpes de falsidade ideológica, quando o criminoso se passa por uma empresa, banco ou governo, foram a fraude mais relatada em 2025, representando uma em cada três denúncias. As perdas com esse tipo de crime atingiram a impressionante marca de US$ 3,5 bilhões.
Desse total, criminosos se passando por empresas levaram quase US$ 1 bilhão, sendo que o maior prejuízo dentro dessa categoria vem justamente de golpistas fingindo ser instituições financeiras. O sucesso do golpe reside em um paradoxo cruel: a vítima acredita piamente que está protegendo seu dinheiro no exato momento em que o está entregando aos criminosos. O Chase ressalta que evitou a perda de US$ 12 bilhões em fraudes em 2024 e que realiza sessões de prevenção em suas mais de 5.000 agências.
Como proteger seu dinheiro contra golpes bancários
Especialistas e instituições financeiras são unânimes nas regras de ouro para evitar cair na lábia dos falsos bancários. A primeira e mais importante regra é: **bancos reais não pedem para você mover dinheiro**. Uma instituição legítima nunca ligará exigindo que você transfira fundos para uma “conta segura” para resolver uma fraude.
Outro ponto crucial é **não confiar no identificador de chamadas**, pois criminosos usam tecnologia para mascarar o número, fazendo com que o nome e o telefone reais do seu banco apareçam na tela. Se receber uma ligação suspeita, **desligue imediatamente**. A recomendação é sempre **ligar você mesmo** para o banco, pegando o número no verso do seu cartão, e perguntar ao atendimento oficial se há algum problema com sua conta.
É fundamental entender que **transferências são como dinheiro vivo**. Aplicativos de envio rápido (como Cash App e Zelle) ou transferências bancárias diretas são quase impossíveis de serem revertidos após a autorização. Os golpistas criam um senso de urgência para causar pânico, por isso, é essencial desacelerar, parar, respirar, encerrar a ligação e verificar as informações antes de tomar qualquer atitude.