Simone Tebet critica Michelle Bolsonaro e defende democracia inclusiva, contrastando com a extrema direita
A pré-candidata ao Senado pelo PSB em São Paulo, Simone Tebet, analisou a postura de Michelle Bolsonaro em relação à defesa das mulheres, apontando que a ex-primeira-dama teria vivenciado as consequências da própria ideologia que representa. Tebet defende que a participação feminina na política e a proteção de minorias são pilares democráticos essenciais e não devem ser aplicadas de forma seletiva.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Simone Tebet comentou sobre as recentes polêmicas envolvendo Michelle Bolsonaro e seus enteados, especialmente Flávio Bolsonaro. Para a senadora, esses episódios evidenciam a rigidez da extrema direita, que, segundo ela, “não poupa nenhuma mulher”, independentemente de sua posição.
Tebet, que se define como centro-direita na economia e centro-esquerda nos costumes, enfatizou a importância de uma democracia que acolha a todos, sem exceções. Ela ressaltou que sua trajetória política, marcada por diversas “primeiras vezes” como mulher, a ensinou a não se encaixar em “caixinhas” predefinidas, sejam elas de esquerda ou direita.
Trajetória política e alianças em São Paulo
Simone Tebet disputa este ano uma vaga no Senado por São Paulo, mudando seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul. Sua aliança com o PT, após ter sido adversária de Lula na eleição presidencial de 2022, foi fundamental para a derrota de Jair Bolsonaro no segundo turno. Tebet deixou o Ministério do Planejamento, cargo que ocupou até abril deste ano, a pedido do próprio presidente Lula.
A senadora justificou a escolha por São Paulo, onde já obteve mais de um terço de seus votos em 2022, e minimizou as críticas sobre sua origem. Ela destacou sua familiaridade com o interior paulista, comparando-o ao noroeste de seu estado natal, com forte vocação para o agronegócio e questões locais de relevância.
Nas pesquisas eleitorais mais recentes, Tebet aparece tecnicamente empatada com Marina Silva, ambas com cerca de 16% a 18% das intenções de voto, disputando a atenção do eleitorado paulista ao lado de nomes como Ricardo Salles, André do Prado e Guilherme Derrite.
Agro, polarização e a busca pelo centro
Abordando a relação do agronegócio com a esquerda, Simone Tebet reconheceu que a má lembrança de invasões do MST pode influenciar a percepção, mas destacou que o movimento evoluiu e que o diálogo tem sido mais presente. Ela acredita que a polarização entre campo e esquerda é, em parte, alimentada por setores que se beneficiam desse conflito.
Tebet defende a sustentabilidade no agro, a reforma agrária em terras devolutas e o fortalecimento da agricultura familiar, argumentando que essa última é responsável pela maior parte dos alimentos básicos consumidos no Brasil. Ela vê a divisão política como eleitoral, pois, em seu entender, a polarização no dia a dia da população brasileira está diminuindo.
Visão sobre Lula, renovação e o futuro político
Sobre as declarações machistas pontuais do presidente Lula, Tebet as atribui a uma questão geracional, mas ressalta o compromisso do presidente com as mulheres brasileiras, exemplificado por programas como o Bolsa Família e a entrega de chaves de imóveis, que priorizam o público feminino.
A senadora expressou preocupação com a falta de renovação na política e a distância da juventude. Ela aponta a necessidade de preparar novas lideranças, citando João Campos e Tabata Amaral como exemplos de talentos em seu partido. Tebet se ressente da ausência de uma “bandeira” forte para a juventude atual, como a que ela teve com as Diretas Já.
Olhando para o futuro, Simone Tebet reafirma seu compromisso com a política, especialmente em um momento de risco de retorno da extrema direita. Ela se vê como uma voz importante para unir o país em torno do centro, sem descartar a possibilidade de concorrer a novos cargos em 2030, mas com a certeza de que permanecerá atuante na vida pública.