Caso confirmado de sarampo em bebê de 6 meses em São Paulo acende alerta sobre cobertura vacinal
A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de apenas 6 meses em São Paulo trouxe de volta a urgência sobre a necessidade de manter altas coberturas vacinais. A pequena, que ainda não tinha idade para receber a vacina, demonstra a vulnerabilidade de bebês que ainda não podem ser imunizados, dependendo da proteção coletiva.
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, e a vacinação em massa é a principal ferramenta para criar uma barreira de proteção. Quando a maioria da população está vacinada, o vírus tem dificuldade em circular, salvaguardando aqueles que ainda não completaram seu esquema vacinal, como a bebê em questão.
A situação reforça o alerta de especialistas sobre a importância de manter a vacinação em dia. A falta de imunização pode abrir portas para a reintrodução de doenças que já foram controladas, como explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri, em informações divulgadas pela Agência Brasil.
Entenda o Calendário Vacinal e a Proteção
O calendário vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê a primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, uma dose da tetra viral reforça a imunidade contra essas três doenças e adiciona a proteção contra a catapora. Essas vacinas garantem proteção ao longo da vida para quem as recebe no tempo correto.
Para crianças e adultos que não têm comprovante de vacinação, as recomendações são diferentes. De 5 a 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de um mês. Já para pessoas de 30 a 59 anos, uma dose é suficiente. Gestantes e indivíduos imunocomprometidos não devem receber a vacina.
Sarampo: Uma Doença de Altíssima Transmissibilidade
Renato Kfouri destaca que a vacina contra o sarampo é extremamente efetiva, não só prevenindo a doença, mas também impedindo a transmissão do vírus. Essa característica, conhecida como imunidade esterilizante, é crucial para conter surtos.
O caso da bebê em São Paulo está ligado a uma viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano passado. A alta cobertura vacinal é essencial para impedir que casos importados desencadeiem surtos em território brasileiro. A falta de vacinação, mesmo sem viagens internacionais, pode ser suficiente para a circulação do vírus, devido ao fluxo de pessoas de países com surtos.
Cobertura Vacinal Abaixo do Ideal
No ano passado, o Brasil registrou que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada. Essa taxa de adesão incompleta é um dos principais motivos de preocupação para as autoridades de saúde.
O país, apesar de ter sido certificado como área livre de sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2024, já perdeu essa certificação anteriormente. Em 2016, o Brasil havia conquistado o status, mas o perdeu em 2019 após a ocorrência de surtos iniciados por casos importados.
Alerta nas Américas: O Contagioso Sarampo
O continente americano vive uma situação preocupante em relação ao sarampo. Em 2023, foram registrados 14.891 casos em 14 países, resultando em 29 mortes. Somente até 5 de março deste ano, já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala enfrentam os quadros mais graves.
A grande maioria dos casos nas Américas ocorre em pessoas não vacinadas, especialmente em crianças menores de 1 ano. Kfouri ressalta que o sarampo não é uma doença inofensiva da infância, podendo levar a complicações sérias.
Em surtos, estima-se um óbito para cada mil casos, mas proporções maiores têm sido registradas. As complicações mais comuns incluem pneumonia e quadros neurológicos, como encefalite. Além disso, a infecção pelo vírus do sarampo pode suprimir o sistema imunológico por até seis meses após a recuperação, deixando o indivíduo mais vulnerável a outras infecções.
Os principais sintomas do sarampo são manchas vermelhas pelo corpo e febre alta, acompanhados por tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar geral. A atenção à vacinação é, portanto, fundamental para a proteção individual e coletiva contra esta doença perigosa.