A icônica Corrida de São Silvestre, um dos eventos esportivos mais prestigiados do Brasil e da América Latina, celebra seu centenário em 2024. Fundada em 1925 pelo visionário empresário e jornalista Cásper Líbero, a prova atravessou um século de história, consolidando-se como um símbolo de superação, celebração e identidade cultural nas ruas de São Paulo.
Para comemorar esta marca histórica, o programa Caminhos da Reportagem da TV Brasil exibe um episódio especial intitulado ‘100 vezes São Silvestre’. A exibição, excepcionalmente marcada para esta segunda-feira (29) às 22h30, promete mergulhar nas memórias e legados de uma corrida que inspirou e continua a inspirar milhares de corredores, tanto profissionais quanto amadores, a cada véspera de Ano Novo.
A São Silvestre não apenas coroou atletas memoráveis, mas também se tornou um palco para histórias de vida extraordinárias. A inspiração para a corrida veio de eventos semelhantes que Cásper Líbero presenciou em Paris. Em sua primeira edição, 48 corredores largaram, já carregando a essência de conectar a última noite do ano com as esperanças de um novo ciclo, um detalhe que o jornalista e diretor-executivo da prova, Erick Castelhero, destaca como um presságio do sucesso futuro.
Nas primeiras décadas, a corrida era restrita a atletas brasileiros. O primeiro vencedor, Alfredo Gomes, além de ser neto de escravizados, marcou seu nome na história como o primeiro atleta negro brasileiro a competir em Jogos Olímpicos. A abertura para corredores estrangeiros em 1945 trouxe novos desafios e, por décadas, o Brasil enfrentou um jejum de vitórias. Esse período foi quebrado em 1980 pela performance memorável de José João da Silva, cuja vitória, ele descreve, parou o país e teve o impacto de uma Copa do Mundo.
O nível competitivo da São Silvestre atraiu talentos internacionais, como a mexicana María del Carmen Díaz, tricampeã da prova. Ela relembra com carinho o calor humano do público brasileiro, que a fez sentir-se mais reconhecida em terras paulistas do que em seu próprio país. Sua trajetória, assim como a de muitas outras, inspirou novas gerações a abraçar o esporte.
A inclusão da prova feminina apenas a partir da 51ª edição representou um avanço significativo. A portuguesa Rosa Mota, com seis títulos consecutivos, tornou-se um ícone, inspirando brasileiras como Maria Zeferina Baldaia. Maria Zeferina, que correu descalça por 15 anos devido a dificuldades financeiras, transformou a São Silvestre em 2001 em um símbolo de perseverança e um divisor de águas para sua família e comunidade, que hoje a homenageia com um centro olímpico.
Além do brilho dos atletas de elite, a São Silvestre se firmou como um fenômeno popular. Ana Garcez, conhecida como ‘Ana Animal’ no meio do atletismo, personifica a força transformadora da corrida. Tendo superado a vida nas ruas, ela encontra na corrida um propósito, uma fonte de alegria e perseverança que mudou radicalmente sua trajetória.
Para este centenário, a São Silvestre se prepara para sua maior edição, com expectativa de 55 mil participantes. O evento contará com provas para todos os públicos, incluindo competidores com deficiência e a São Silvestrinha, que introduz cerca de duas mil crianças e adolescentes ao universo da corrida, garantindo a continuidade de sua rica história para as próximas gerações.