Rússia Acompanha de Perto “Domo de Ouro”, Escudo de Defesa dos EUA na Groenlândia
A Rússia declarou neste domingo (25) que está observando atentamente os planos dos Estados Unidos para o desenvolvimento do chamado “Domo de Ouro“, um ambicioso escudo antimísseis que o presidente americano Donald Trump pretende erguer na Groenlândia. O Kremlin informou que as Forças Armadas russas estão avaliando os objetivos e o alcance deste projeto.
Anunciado em maio do ano passado, o sistema de defesa, com um custo estimado em US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão), foi novamente mencionado por Trump em 14 de janeiro, em meio a crescentes pressões de Washington para anexar a Groenlândia aos EUA. Trump destacou a importância da ilha, território autônomo da Dinamarca, para a construção do sistema.
O projeto “Domo de Ouro” está em desenvolvimento pelo Pentágono e a meta é sua conclusão até o final do mandato de Trump em 2029. A ideia, que ganhou força com um decreto presidencial em janeiro de 2025, justifica-se pela necessidade de combater ameaças de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, alinhado ao objetivo de “paz pela força” defendido pelos EUA.
O Que é o “Domo de Ouro” e Seus Objetivos Estratégicos
O “Domo de Ouro” foi concebido para ser um sistema de defesa em quatro estágios, capaz de detectar e neutralizar mísseis em diferentes fases de um ataque. Ele busca interceptar projéteis antes do lançamento, em seu estágio inicial de voo, no meio do percurso, e nos minutos finais antes de atingirem o alvo.
A Groenlândia, por sua localização estratégica entre os EUA e a Rússia, é considerada um ponto crucial para a segurança do Ártico. Apesar de os EUA já possuírem uma base militar na ilha, a presença foi reduzida drasticamente desde a Guerra Fria. A ilha representa a rota mais curta para mísseis balísticos russos atingirem o território continental americano, tornando-a ideal para a instalação de interceptadores de mísseis.
A posição geográfica da Groenlândia é ainda mais relevante por estar na chamada “lacuna GIUK”, um corredor naval estratégico entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, que conecta o Oceano Ártico ao Atlântico. Com o derretimento do gelo ártico, novas rotas marítimas estão se abrindo, o que pode impactar o tempo de viagem entre Ásia e Europa, aumentando a importância da vigilância na região.
Implicações Geopolíticas e Econômicas da Presença dos EUA no Ártico
Os Estados Unidos planejam instalar radares em terra e no mar ao redor da ilha para aprimorar a vigilância sobre rotas marítimas importantes, incluindo aquelas utilizadas por embarcações chinesas e russas. Clayton Allen, chefe de operações da Eurasia Group, ressaltou à CNBC que os EUA necessitam de maior acesso ao Ártico e que a Groenlândia oferece essa oportunidade, além de proximidade com a Rússia para defesa contra armas avançadas.
Adicionalmente, a Groenlândia possui vastas reservas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras, recursos essenciais para tecnologias de veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa, o que adiciona um componente econômico significativo ao interesse americano na ilha.
Detalhes Técnicos do “Domo de Ouro”
O Pentágono apresentou o projeto a empreiteiros do setor de defesa, indicando que ele ainda está em fases iniciais. As informações divulgadas indicam que o “Domo de Ouro” contará com quatro camadas de defesa: uma baseada em satélite para alerta e rastreamento, e três em terra. Estas últimas incluirão interceptadores de mísseis, radares e, potencialmente, lasers.
O plano prevê a adição de uma terceira base de lançamento no Centro-Oeste dos EUA, complementando as existentes na Califórnia e Alasca. Esta nova base abrigará interceptadores de última geração, como os NGI, que atuarão em conjunto com sistemas como o THAAD. Um dos focos principais do “Domo de Ouro” é neutralizar mísseis durante a “fase de impulso”, o estágio inicial e mais previsível de sua trajetória.
O projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço para reações mais rápidas e eficientes. As camadas inferiores de defesa utilizarão radares e sistemas já existentes, como o Patriot, além de novos lançadores capazes de enfrentar diversos tipos de ameaças.