Rússia e China intensificam aliança estratégica diante de nova postura militar dos EUA
Em um cenário geopolítico cada vez mais complexo, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, realizaram uma conversa significativa que sinaliza um **fortalecimento da parceria estratégica** entre as duas potências. A ligação, que durou quase uma hora e meia, abordou a necessidade de aumentar a “coordenação estratégica” para enfrentar “vários riscos e desafios” globais.
As declarações conjuntas divulgadas pelo Ministério da Defesa chinês e pela agência de notícias estatal russa, RIA Novosti, revelam uma sintonia em suas visões sobre a segurança internacional. A China expressou disposição em aprofundar a cooperação com a Rússia, implementando o consenso alcançado pelos chefes de Estado para enriquecer a colaboração e aprimorar os mecanismos de intercâmbio.
Essa aproximação ocorre em um momento de **crescentes tensões globais**, especialmente após a divulgação da nova Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos. O documento americano, divulgado pelo Departamento de Guerra, define como objetivo a **dominação militar e comercial** dos EUA em uma vasta área, do Ártico à América do Sul, com ameaças explícitas a países que não cooperarem com seus objetivos.
O “Corolário Trump” e a Ameaça Militar no Hemisfério Ocidental
A nova estratégia americana, apelidada de “Corolário Trump” à Doutrina Monroe, deixa claro que os Estados Unidos estão prontos para usar a força militar para garantir seus interesses no Hemisfério Ocidental. A estratégia menciona explicitamente a operação que depôs Nicolás Maduro na Venezuela como um exemplo de ação futura. O objetivo é assegurar o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas, incluindo o Canal do Panamá e a Groenlândia.
Países vizinhos foram alertados sobre possíveis ações militares caso não colaborem com os planos americanos de combate ao narcoturáfico e de contenção à influência russa e chinesa na região. A estratégia também prevê a exigência de cooperação do Canadá e do México para o fechamento das fronteiras contra imigrantes ilegais e o que o documento define como “narcoterroristas”.
China Busca Ampliar Laços e Deter a Influência Americana
Em contrapartida, a China tem buscado ativamente **estreitar laços com líderes ocidentais**, mesmo diante da nova postura americana. Recentemente, o presidente Xi Jinping recebeu o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, e discutiu a defesa do sistema internacional centrado nas Nações Unidas. Essa declaração é vista como uma resposta direta à iniciativa americana de criar um “Conselho da Paz”, que gera preocupações sobre uma possível rivalidade com a ONU.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também iniciou uma visita à China, marcando a primeira visita de um líder britânico ao país em oito anos. Especialistas apontam que essa visita visa reduzir a dependência britânica de um Estados Unidos percebido como cada vez mais imprevisível e fortalecer laços com a segunda maior economia mundial.
Rússia e China: Uma Aliança Contra-hegemônica
A nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA classifica a China como o principal rival global e propõe “deter” o país asiático “por meio da força, não do confronto”. A estratégia busca um equilíbrio de poder na região do Indo-Pacífico, sem a necessidade de “dominar nem estrangular” Pequim, mas sim encontrar um arranjo onde ambos exerçam dominação em suas respectivas esferas de influência.
A Rússia, por sua vez, é identificada como uma ameaça global que deve ser delegada a aliados como a OTAN. As declarações de Putin e Xi Jinping, após a conversa telefônica, reforçam a ideia de que a **Rússia e a China agem em sintonia** para reconfigurar a ordem mundial, buscando um contrapeso à influência e às ações unilaterais dos Estados Unidos.
Cooperação Tecnológica e Naval Entre China e Dinamarca
Em um movimento que demonstra a diversificação de suas parcerias, a China também renovou um acordo de cooperação em construção naval com a Dinamarca. Os dois países planejam desenvolver conjuntamente tecnologias de navios com combustíveis de baixo ou zero carbono e explorar a cooperação no setor de veículos de novas energias. Esta iniciativa ocorre em um contexto de tensões entre Dinamarca e Estados Unidos, especialmente em relação à Groenlândia.
A estratégia americana também visa aumentar a responsabilidade dos aliados no “fardo da segurança compartilhada” e modernizar as forças nucleares dos EUA. A Rússia e a China, ao fortalecerem sua parceria estratégica, parecem responder a essa nova doutrina de defesa americana, buscando garantir seus próprios interesses e projetar sua influência em um cenário global em constante transformação.