Rússia e EUA em Rota de Colisão: Apreensão de Petroleiro Agrava Tensões Diplomáticas e Militares

A diplomacia russa elevou o tom nesta quinta-feira (8) ao acusar os Estados Unidos de provocarem “tensões militares e políticas” com a apreensão de um petroleiro sob bandeira russa no Oceano Atlântico Norte. A ação, que faz parte do bloqueio americano às exportações de petróleo venezuelano, intensifica o já delicado cenário das relações entre Moscou e Washington.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a apreensão do navio, denominado Marinera por Moscou, como “perigosa e irresponsável”. Segundo o governo russo, a operação, que contou com a cumplicidade do Reino Unido, pode “deteriorar ainda mais as relações russo-americanas extremamente tensas”, marcadas por desacordos acumulados nos últimos anos.

A controvérsia gira em torno do status e da legalidade da operação. Enquanto a Rússia afirma ter obtido uma autorização provisória para o Marinera navegar sob sua bandeira em 24 de dezembro, os Estados Unidos sustentam que o navio, chamado Bella 1 por eles, não possuía bandeira após ter navegado com uma falsa. Washington alega que o petroleiro faz parte da chamada “frota fantasma” venezuelana, utilizada para burlar as sanções americanas.

Divergências sobre Bandeira e Jurisdição Marítima

Em resposta às alegações americanas, o Ministério das Relações Exteriores russo rejeitou veementemente a acusação de navegação sob bandeira falsa. Moscou assegura ter fornecido repetidamente “informações confiáveis” sobre a propriedade russa do navio e seu status legal. A Rússia reitera que o direito internacional estabelece “expressamente” que navios em alto-mar estão sob a jurisdição exclusiva do Estado da bandeira.

A chancelaria russa destacou que a detenção e revista de um navio em alto-mar só são permitidas em casos específicos e restritos, como pirataria ou tráfico de escravos, situações que, segundo Moscou, “evidentemente não se aplicam ao Marinera”. A Rússia enfatiza que, em outras circunstâncias, tais ações requerem o consentimento do Estado da bandeira, que, neste caso, seria a própria Rússia.

Interceptação em Operação Militar Conjunta

A apreensão ocorreu na quarta-feira, durante uma operação militar realizada entre a Islândia e a Escócia. Guardas costeiros americanos, com apoio britânico, interceptaram o petroleiro, que estava com os tanques vazios. O navio estava sendo perseguido pelos EUA desde 21 de dezembro, em uma ação que a Rússia considera uma violação da soberania e do direito marítimo internacional, exacerbando as “tensões políticas e militares” entre as duas potências.