Wilson Lima renuncia ao governo do Amazonas e encerra dois mandatos consecutivos, abrindo espaço para nova eleição

O governador do Amazonas, Wilson Lima, apresentou sua renúncia ao cargo no último sábado (4), pondo fim a dois mandatos iniciados em 1º de janeiro de 2019. Sua saída, assim como a do vice-governador Tadeu de Souza, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), sem anúncio prévio.

A gestão de Wilson Lima foi profundamente impactada por momentos de crise, com destaque para o **colapso do sistema de saúde durante a pandemia de Covid-19**, em 2021. Nesse período, o estado enfrentou uma severa escassez de oxigênio, levando hospitais à beira do colapso e obrigando o governo a transferir pacientes para outras unidades da federação.

Paralelamente à crise sanitária, surgiram **investigações sobre a compra de respiradores pelo governo estadual**. Em 2021, Wilson Lima tornou-se réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob acusação de irregularidades na aquisição desses equipamentos. O Ministério Público Federal (MPF) apontou dispensa irregular de licitação e superfaturamento na compra de 28 ventiladores pulmonares, com um prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos. Os equipamentos foram adquiridos por mais de R$ 100 mil cada, quando custavam cerca de R$ 17 mil no mercado, e, segundo o MPF, não possuíam a capacidade adequada para pacientes graves, envolvendo empresas sem atuação na área de saúde.

Em outro processo relacionado ao transporte aéreo desses equipamentos, o STJ rejeitou em 2025 uma denúncia por peculato contra Lima. A Corte entendeu que não houve comprovação de intenção de desvio de recursos no pagamento de cerca de R$ 191 mil pelo fretamento de aeronaves.

No campo econômico, Wilson Lima encaminhou em março deste ano um projeto de lei à Assembleia Legislativa para incluir R$ 3,2 bilhões no orçamento de 2026. Esse valor refere-se a um empréstimo contraído em 2024 junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), necessário para liberar os recursos conforme as exigências da Lei Orçamentária Anual (LOA). O orçamento previsto para o estado em 2026 é de R$ 38 bilhões.

Com a renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza, o presidente da Aleam, Roberto Cidade (União Brasil), assumiu o governo interino do estado. A solenidade de posse ocorreu na tarde de domingo (5) na sede da Casa Legislativa. A saída do governador abre um novo cenário político no Amazonas, com a previsão de uma **eleição indireta para a escolha do próximo governador**.

Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (6), Wilson Lima confirmou sua pré-candidatura ao Senado, explicando os motivos de sua saída do cargo de governador. A decisão marca o fim de uma era política no estado e o início de um novo processo de sucessão.