PF aponta contradições na versão de Flávio Bolsonaro sobre financiamento do filme “Dark Horse”.
Um relatório da Polícia Federal, que investiga o financiamento do filme “Dark Horse“, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentou informações que contrariam a versão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento, cujas investigações tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, levanta dúvidas sobre a origem e a destinação dos recursos.
Segundo a apuração da PF, o fundo Havengate, criado nos Estados Unidos em 2020, permaneceu “inoperante” por quase quatro anos, sem qualquer atividade registrada. Sua reativação ocorreu apenas em fevereiro de 2025, quando recebeu um repasse de US$ 2.000.000 (aproximadamente R$ 10 milhões na cotação da época) da Entre Investimentos, controlada pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o objetivo de financiar a produção do filme.
As informações da PF contradizem diretamente as declarações de Flávio Bolsonaro em maio, quando afirmou em entrevista à GloboNews que o Havengate era um fundo exclusivo criado especificamente para a realização do filme “Dark Horse”. A investigação da Polícia Federal, agora com o sigilo levantado, sugere que a movimentação do fundo em questão pode necessitar de maior escrutínio.
Fundo Havengate: Inoperante e reativado para “Dark Horse”
O relatório da PF detalha que o fundo Havengate, embora juridicamente ativo, esteve “operacionalmente inerte” por um longo período. A primeira e única movimentação financeira vinculada ao filme “Dark Horse” ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, com o recebimento de US$ 2.000.000 provenientes da Entre Investimentos.
A investigação aponta que a Entre Investimentos funcionou como intermediária para os repasses de Daniel Vorcaro ao fundo norte-americano. A PF considera que a “reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade” entre o perfil financeiro e a destinação declarada dos recursos.
Conexão com Eduardo Bolsonaro e “orientação” de recursos
O Havengate é administrado por Paulo Calixto, que também é advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na entrevista concedida em maio, Flávio Bolsonaro justificou a escolha do fundo norte-americano pelo fato de o advogado ser de “confiança” de Eduardo.
Entretanto, documentos que tiveram o sigilo retirado revelam uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicando que Eduardo Bolsonaro teria “orientado” os recursos nos Estados Unidos. Essa informação adiciona uma nova camada de complexidade à investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse” e a participação da família Bolsonaro.
Posicionamento dos envolvidos e atualização da reportagem
O portal Poder360 buscou contato com Flávio e Eduardo Bolsonaro para que se manifestassem sobre as informações contidas no relatório da Polícia Federal. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta de nenhum dos senadores. O texto será atualizado caso um posicionamento oficial seja enviado ao jornal digital.