Ratinho defende sinceridade e afirma que não mudará seu jeito após polêmica com Erika Hilton, que o processa por transfobia
Carlos Massa, o Ratinho, abordou a polêmica envolvendo seu comentário sobre a deputada federal Erika Hilton, que resultou em acusações de transfobia e um processo judicial. O apresentador do SBT usou seu programa para se defender, reiterando sua postura e declarando que não pretende alterar sua forma de se expressar.
Durante a edição de segunda-feira (16) de seu programa, Ratinho comentou sobre o “furacão” que se formou após suas declarações no dia 11 de outubro, quando afirmou que Erika Hilton, eleita presidente da Comissão da Mulher na Câmara, “não é mulher”. O apresentador agradeceu o apoio recebido e destacou a concordância de muitos com sua opinião.
“Quero agradecer a todos que me apoiaram, nem tive como acompanhar as milhares de mensagens, quase todas unânimes com comentários favoráveis. Muita gente, muita gente mesmo concordou comigo”, declarou Ratinho, que já havia se manifestado nas redes sociais na última sexta-feira (13).
A defesa de Ratinho: “Minha sinceridade incomoda”
O apresentador atribuiu as críticas à sua **sinceridade**, característica que, segundo ele, o acompanha desde o início de sua carreira na televisão e no rádio, antes da popularização da internet. Ratinho enfatizou que seu estilo direto de comunicação, que ele chama de “jeito direto e reto de falar as coisas”, pode ser mal interpretado nos dias atuais, levando a acusações de “patrulhamento e lacração”.
“De todos os defeitos que eu tenho, e eu tenho muitos, o que mais incomoda as pessoas é a minha sinceridade”, explicou Ratinho durante seu programa.
“Eu não vou mudar”, afirma apresentador
Diante da repercussão negativa e do processo movido por Erika Hilton, Ratinho foi enfático ao afirmar que sua postura não será alterada. Ele declarou que continuará sendo quem é, independentemente da opinião alheia.
“Quem gosta de mim vai continuar gostando, quem não gosta vai continuar não gostando. Eu **não vou mudar meu jeito de ser para agradar quem quer que seja**. Fica o recado. Eu não vou mudar”, finalizou o apresentador, reforçando sua decisão.
Entenda o caso e o processo contra o apresentador
A polêmica teve início quando Ratinho, em seu programa no dia 11 de outubro, questionou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher, afirmando que a deputada “não é mulher” e que para ser mulher é preciso ter útero e menstruar. Essas declarações geraram fortes reações nas redes sociais, com acusações de transfobia.
Erika Hilton, por sua vez, anunciou que entrou com um processo contra Ratinho. Em suas redes sociais, a deputada classificou as falas do apresentador como um “ataque” e uma “violência”, não apenas contra ela, mas contra toda a comunidade trans. Ela também solicitou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investigasse o apresentador.
O Ministério Público Federal (MPF) considera que declarações como as de Ratinho configuram **discurso discriminatório**, pois podem contribuir para a desumanização e deslegitimação da identidade de pessoas trans, reduzindo a identidade feminina a características biológicas específicas.
De acordo com Yuri Carneiro Coelho, doutor em Direito e especialista em Direito Penal, a injúria homofóbica ou transfóbica se caracteriza pelo uso de palavras ou gestos preconceituosos que ofendem a honra subjetiva do ofendido. A pena para esse tipo de crime pode chegar a cinco anos de reclusão, com possibilidade de cumprimento em regime aberto ou substituição por outras penas restritivas de direitos.