Raízen protocola plano de recuperação extrajudicial para dívida de R$ 64,7 bilhões
A Raízen, uma das principais empresas do setor de energia no Brasil, protocolou um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar um montante expressivo de R$ 64,7 bilhões em dívidas. A proposta foi apresentada à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, marcando um passo significativo nos esforços da companhia para organizar sua estrutura financeira.
Em comunicado oficial, a empresa destacou que o plano já conta com a adesão de credores que representam 75,45% dos créditos financeiros e quirografários envolvidos na reestruturação. Este percentual supera o mínimo exigido pela Lei de Recuperação e Falências para a homologação judicial, demonstrando um forte apoio dos credores à iniciativa.
A dívida em questão não inclui operações internas entre empresas do próprio grupo Raízen. A adesão expressiva foi conquistada junto a diversos grupos de credores, incluindo bancos, detentores de títulos emitidos no mercado doméstico e investidores internacionais, conforme informado pela companhia. A Raízen celebrou a conquista do quórum necessário antes do prazo legal de 90 dias.
O que é Recuperação Extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um mecanismo legal que permite às empresas renegociarem suas dívidas diretamente com seus credores, sem a necessidade de um processo judicial formal de recuperação. Uma vez homologada pela Justiça, a decisão passa a valer para todos os credores abrangidos pelo plano, garantindo um acordo mais amplo e efetivo.
Este movimento da Raízen visa principalmente reduzir sua alavancagem financeira e reorganizar sua estrutura de capital. A medida surge poucas semanas após a empresa anunciar a venda de ativos importantes na Argentina, uma estratégia alinhada com a busca por maior eficiência financeira.
Venda de Ativos na Argentina
Na última semana, a Raízen anunciou a venda de suas operações de refino, distribuição e comercialização de combustíveis na Argentina para o grupo Mercuria Energy. O negócio, avaliado em US$ 1,42 bilhão, inclui a refinaria de Dock Sud, uma rede com mais de 700 postos de combustíveis e infraestrutura logística.
Além do valor da aquisição, a Mercuria assumirá dívidas da subsidiária argentina da Raízen. A conclusão desta transação ainda está sujeita a aprovações regulatórias e ao cumprimento de condições contratuais. Os recursos obtidos com a venda serão destinados ao fortalecimento da estrutura financeira da Raízen e à redução do endividamento.
A venda de ativos na Argentina é vista como uma das principais iniciativas da Raízen para otimizar a alocação de capital e simplificar seu portfólio. Essas ações demonstram um movimento estratégico da companhia em direção a uma maior solidez financeira, antecedendo o protocolo do plano de recuperação extrajudicial.
A Raízen, controlada conjuntamente pela Cosan e pela Shell, busca com essas manobras reforçar sua posição no mercado e garantir a sustentabilidade de suas operações em longo prazo. A recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões é um marco importante nesse processo.