Nelson Tanure, o “sócio oculto” do Banco Master sob escrutínio da PF

O nome de Nelson Tanure, um empresário conhecido por sua atuação em reestruturações de empresas em crise, surgiu nas investigações da Polícia Federal ligadas ao Banco Master. Tanure foi apontado como um “sócio oculto” da instituição financeira, em um inquérito que apura negócios do fundador do banco, Daniel Vorcaro.

A investigação da PF ganhou novos contornos com a análise de mensagens que indicam um possível elo entre Tanure e Vorcaro. Em uma das comunicações, Tanure teria expressado gratidão a Vorcaro pelo envio de um relógio de luxo importado, um modelo da marca Jaeger-LeCoultre avaliado em até R$ 1 milhão. Essa troca de presentes levanta questões sobre a natureza da relação entre os dois.

Apesar das evidências apresentadas pela Polícia Federal, Nelson Tanure nega veementemente qualquer vínculo societário com o Banco Master, afirmando que suas relações com a instituição foram estritamente comerciais, como cliente ou aplicador financeiro. Ele detalha que as interações envolveram aplicações, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações, mas nega qualquer ingerência na gestão interna do banco. As informações foram divulgadas pela Polícia Federal.

Trajetória de Nelson Tanure: de Salvador a grandes investimentos

Nascido em Salvador, Bahia, em 1951, Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure formou-se em Administração de Empresas pela UFBA em 1974. Sua carreira empresarial decolou a partir da década de 1980, quando se especializou em adquirir participações em companhias com dificuldades financeiras, promovendo processos de reestruturação.

Um de seus primeiros movimentos notórios foi a compra de participação na Sequip, uma empresa de engenharia focada na indústria de petróleo. Em 1986, Tanure adquiriu o estaleiro Emaq, que na época se encontrava em situação falimentar. Paralelamente, expandiu seus negócios para o exterior, tornando-se sócio de empresas como a Comex, da França, e a Hydrospace, do Canadá.

Investimentos em setores estratégicos e de comunicação

A década de 1980 também o viu integrar o grupo de acionistas da CGEE Alsthom, uma empresa francesa com expertise em equipamentos para usinas hidrelétricas. Nos anos 1990, Tanure assumiu o controle do estaleiro Verolme, no Rio de Janeiro, que também passava por um processo de concordata, demonstrando sua habilidade em revitalizar negócios.

Entre seus investimentos mais conhecidos estão participações relevantes na Oi, através da investidora Sociéte Mondiale, e na incorporadora Gafisa. No caso da Oi, Tanure ingressou no capital da empresa em 2016, em meio a uma grave crise financeira e processo de recuperação judicial. Na Gafisa, ele se tornou membro do conselho de administração em 2019 e participou de aumentos de capital.

O controverso caso do Banco Master e o relógio de luxo

No setor de comunicação, Tanure ganhou notoriedade ao adquirir o Jornal do Brasil em 2000, que enfrentava sérias dificuldades financeiras. Posteriormente, também arrendou a Gazeta Mercantil, um tradicional veículo da imprensa econômica brasileira, consolidando sua presença no mercado de mídia.

Em telecomunicações, sua participação na operação que resultou na fusão da Intelig com a TIM é emblemática. Tanure adquiriu a Intelig por cerca de R$ 10 milhões, assumindo dívidas de aproximadamente R$ 130 milhões, e a vendeu cerca de um ano depois por aproximadamente R$ 650 milhões, um negócio que evidenciou sua capacidade de gerar valor em operações complexas.

A apreensão do celular e a defesa de Tanure

Em janeiro de 2026, o celular de Nelson Tanure foi apreendido em uma fase da operação que investiga o Banco Master. A Polícia Federal busca determinar se o empresário seria o “destinatário final” de fundos suspeitos que teriam sido movimentados pela rede de Daniel Vorcaro.

O empresário, por meio de sua defesa, reiterou que suas relações com o Banco Master foram “estritamente comerciais”, atuando como cliente ou aplicador. Ele esclareceu que as operações envolveram aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias, mas negou qualquer “ingerência de gestão ou conhecimento das outras operações internas” das instituições ligadas ao banco. As declarações foram divulgadas em resposta às investigações da PF.