PT em São Paulo: Tensão entre Nacional e Estadual sobre candidato ao Governo em 2026
A disputa pela candidatura ao governo de São Paulo em 2026 está gerando um desencontro de estratégias entre os diretórios nacional e estadual do PT. Enquanto a cúpula do partido, liderada pelo presidente Lula e pelo presidente da sigla, Edinho Silva, defende a necessidade de um nome petista para disputar o Palácio dos Bandeirantes, a direção paulista demonstra maior abertura para apoiar candidatos de fora da legenda.
Essa divergência pode impactar diretamente a estratégia de reeleição do presidente Lula em 2026. A prioridade nacional é garantir um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, para impulsionar a votação presidencial e, idealmente, levar a disputa estadual para o segundo turno.
A preferência nacional recai sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já concorreu ao governo paulista em 2022, sendo derrotado por Tarcísio de Freitas. No entanto, Haddad tem se mostrado relutante em repetir a candidatura, ponderando outras opções como uma vaga no Senado. Essa informação foi divulgada por aliados do ministro e por petistas próximos à direção nacional.
Haddad reluta em ser candidato, mas Lula insiste em nome petista
A insistência do PT nacional em lançar um candidato próprio ao governo de São Paulo em 2026 se baseia na análise de que o estado foi crucial para a vitória de Lula em 2022. O partido obteve 4 milhões de votos a mais em São Paulo no segundo turno presidencial em comparação com 2018. Para a cúpula petista, ter um candidato forte no estado é fundamental para garantir a reeleição de Lula.
O nome de Fernando Haddad surge como a principal aposta da ala nacional, especialmente de Lula e Edinho Silva. Haddad, que já disputou o governo paulista em 2022, enfrenta resistência interna. Aliados do ministro indicam que ele só aceitaria uma nova candidatura se fosse uma determinação direta de Lula, mas que ele considera outras opções, como uma cadeira no Senado, onde veria menores chances de derrotas consecutivas.
PT paulista abre portas para Geraldo Alckmin e Márcio França
Em contrapartida, a direção estadual do PT em São Paulo sinaliza uma abordagem diferente. Embora concordem com a necessidade de garantir o segundo turno no estado, os petistas paulistas mostram maior flexibilidade para apoiar nomes que não pertençam à sigla. Essa postura visa fortalecer a aliança democrática e ampliar as chances de sucesso.
Entre os nomes ventilados e bem vistos pela ala paulista estão o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros Márcio França (Empreendedorismo, PSB) e Simone Tebet (Planejamento, MDB). Alckmin, no entanto, já declarou a aliados seu desejo de repetir a chapa de 2022 como vice de Lula. Tebet teria que mudar seu domicílio eleitoral e, possivelmente, de partido, pois o MDB paulista apoiará a reeleição de Tarcísio de Freitas.
Márcio França se coloca à disposição, mas lembra sacrifício de 2022
Márcio França, que já se manifestou abertamente sobre a possibilidade de disputar o governo, tem lembrado a interlocutores que abriu mão de sua candidatura em 2022 a pedido de Lula. Na ocasião, ele apoiou Haddad ao governo estadual e se candidatou ao Senado, mas foi derrotado por Marcos Pontes (PL). França se mostra disposto a considerar um novo pleito, mas a negociação envolve o histórico de seus compromissos anteriores e as prioridades atuais do partido.
A divergência interna no PT sobre a candidatura ao governo de São Paulo em 2026 evidencia os diferentes cenários e estratégias consideradas pelas diferentes alas do partido. O desfecho dessa discussão poderá ter um peso significativo no cenário político do estado e na própria disputa pela presidência em 2026.