Regime do Irã decreta luto nacional em meio a protestos violentos e alta de mortes, com denúncias de massacre contra manifestantes e escalada da repressão policial.
Em meio a uma onda de protestos generalizados em diversas cidades, o regime iraniano declarou, neste domingo (11), três dias de luto nacional pelos chamados “mártires” dos confrontos. A medida, divulgada pela televisão estatal, homenageia membros das forças de segurança mortos nas últimas duas semanas de manifestações.
A situação no país é de crescente tensão. O número de mortos nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei já ultrapassou os 500 neste domingo, segundo um grupo de ativistas que monitora a situação. ONGs denunciam um “massacre” contra os manifestantes, enquanto a polícia do regime afirma ter “escalado” sua resposta.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, conclamou a população a participar de uma “marcha de resistência nacional” na segunda-feira (12), com manifestações em todo o país para denunciar a violência. O governo, no entanto, atribui os atos a “criminosos terroristas urbanos”, conforme informado pela televisão estatal.
Número de mortos e presos sobe, com denúncias de violência policial
O novo balanço de mortes nos protestos, que já duram quase duas semanas, ocorre em meio a severas denúncias de violência policial. Iranianos ouvidos por jornais dos Estados Unidos e do Reino Unido relataram que policiais atiraram diretamente contra manifestantes em mais de 100 cidades do país.
Segundo o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, o número de mortos subiu para 538, sendo 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, de acordo com a organização.
Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado o alto número de mortes. O país está isolado do mundo com o corte de internet, o que dificulta a confirmação exata do número de vítimas, mas relatos indicam que as forças de segurança dispararam contra os manifestantes.
ONGs denunciam “massacre” e “assassinatos em massa” em meio ao apagão da internet
O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) declarou que “um massacre está em curso no Irã em meio a um apagão da internet”. A ONG afirma estar recebendo relatos de corpos sendo amontoados em hospitais. Já a ONG norueguesa Direitos Humanos do Irã mencionou relatos de “assassinatos em massa” por policiais, com o número real de mortos podendo chegar a duas mil pessoas.
O governo iraniano não divulga números oficiais sobre a atuação policial e acusa os Estados Unidos e Israel de se infiltrarem nos protestos e serem os responsáveis pelas mortes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, confirmou neste domingo que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”.
Acusações mútuas e ameaças de retaliação entre Irã, EUA e Israel
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu à população que se mantenha distante de “terroristas e badernistas” e tentou abrir um canal de diálogo. Contudo, Pezeshkian também acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país.
Em resposta a ameaças de intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, caso o regime mate manifestantes pacíficos, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares americanas no Oriente Médio em caso de bombardeio. Trump havia dito no sábado que os norte-americanos estão “prontos para ajudar” o Irã em sua busca por liberdade.
Contexto de fragilidade e sanções internacionais
O Irã não enfrentava um movimento de protestos dessa magnitude desde as manifestações de 2022, após a morte de Mahsa Amini. O país vive um momento de fragilidade, após a guerra com Israel e golpes sofridos por aliados regionais. Em setembro, a ONU restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear iraniano.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, afirmou na sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos, chamando os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei, declarou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.