Manifestantes em Milão expressam indignação com a presença de agentes do ICE durante as Olimpíadas de Inverno, citando preocupações com direitos humanos e a ascensão do fascismo nos Estados Unidos.
Centenas de pessoas se reuniram neste sábado (31) em Milão, na Itália, para protestar contra a presença de agentes do ICE, a Agência Federal de Imigração dos EUA, durante os Jogos Olímpicos de Inverno. A manifestação ocorreu na Piazza XXV Aprile, um local simbólico que homenageia a libertação da Itália do nazifascismo.
O ato reuniu membros de partidos de esquerda, sindicatos e organizações que preservam a memória da resistência italiana. A indignação vai além da participação americana na segurança, abrangendo também o que muitos descreveram como uma crescente onda de fascismo nos Estados Unidos.
Conforme relatado à Associated Press, as faixas exibidas durante o protesto carregavam mensagens como “De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos” e “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”. Uma delas brincava com o nome da agência: “ICE só no Spritz”. A notícia do envio de agentes gerou forte repercussão negativa na Itália, com o prefeito de Milão declarando que eles não eram bem-vindos.
Críticas e Comparações com o Passado
A manifestante Silvana Grassi segurava uma placa comparando o ICE à Gestapo, expressando profundo choque com relatos de ações de agentes em Minneapolis, que teriam envolvido disparos contra manifestantes e detenção de crianças. “Dá vontade de chorar só de pensar nisso”, declarou Grassi, questionando como um governo com tais práticas pôde ser eleito.
Esclarecimentos sobre a Missão do ICE
É importante notar que os agentes do ICE destacados para Milão pertencem à Homeland Security Investigations (HSI), uma divisão focada em crimes transfronteiriços, e não à unidade Enforcement and Removal Operations (ERO), que lida diretamente com a repressão à imigração nos EUA. A HSI frequentemente envia seus agentes para auxiliar na segurança de grandes eventos internacionais, como as Olimpíadas.
A Mensagem Persiste: “Não os queremos aqui”
Apesar das distinções entre as divisões do ICE, o sentimento de rejeição entre os manifestantes permaneceu forte. “Mesmo que não sejam os mesmos, não os queremos aqui”, afirmou Grassi. Paolo Bortoletto, outro participante, embora ciente da função investigativa, não da ostensiva, dos agentes, declarou: “Não os queremos em nosso país. Somos um país pacífico. Não queremos fascistas. São as ideias deles que nos incomodam.” O Ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, foi convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o envio dos agentes.