Projeto Reflora revitaliza áreas degradadas na Amazônia com agroflorestas sustentáveis, unindo tradição e ciência para o futuro
Um sopro de esperança ecoa pela Amazônia com o projeto Reflora, uma iniciativa inovadora que está transformando áreas degradadas em agroflorestas sustentáveis. A proposta vai além da simples recuperação ambiental, buscando integrar saberes tradicionais indígenas com o conhecimento científico para restaurar a floresta e, ao mesmo tempo, gerar renda para as comunidades locais de forma a não prejudicar o meio ambiente.
Na comunidade Tatuyo, às margens do Rio Negro, na zona rural de Manaus, o plantio de mudas de espécies nativas como andiroba e castanheira simboliza a realização de um sonho antigo. Moradores expressam a satisfação em ver a floresta renascer, com a esperança de um futuro mais verde e próspero para as próximas gerações.
Essa transformação é um marco para a comunidade, que há tempos desejava recuperar suas terras. O projeto Reflora, liderado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), surge como um parceiro fundamental, oferecendo suporte técnico e fortalecendo a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista. Conforme informação divulgada pelo Ipê, a iniciativa nasceu de uma demanda genuína dos próprios moradores, o que garante maior engajamento e sucesso a longo prazo.
Agrofloresta: um modelo de restauração produtiva para a Amazônia
A técnica de sistema agroflorestal é o coração do projeto. Ela combina o plantio de espécies agrícolas, frutíferas e florestais em um mesmo espaço, criando um ecossistema produtivo e resiliente. Essa abordagem permite a recuperação gradual da área, com benefícios econômicos e ambientais.
A extensionista Ananda Matos explica que, a curto prazo, as espécies agrícolas entram em produção, seguidas pelas frutíferas no médio prazo. A longo prazo, as árvores madeireiras não só fornecem madeira, mas também geram outros produtos valiosos, como sementes e cascas utilizadas na fabricação de chás e medicamentos. Essa diversidade garante um fluxo contínuo de benefícios para a comunidade.
Desafios logísticos e a visão de futuro
A vastidão da Amazônia apresenta desafios logísticos significativos, como a necessidade de longas viagens de barco para transportar mudas até áreas remotas como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista. Paulo Roberto Ferro, coordenador executivo do Ipê, destaca que a logística é um dos grandes obstáculos, especialmente quando as mudas precisam vir de locais distantes, como Rondônia e a divisa com o Pará.
No entanto, o projeto já planeja o futuro, com o objetivo de coletar e produzir as mudas localmente. Essa estratégia visa reduzir custos, agilizar o processo de plantio e garantir que as espécies utilizadas sejam as mais adaptadas às condições locais, fortalecendo ainda mais a cadeia de restauração no estado do Amazonas.
Transformação social e econômica com sustentabilidade
Em 2025, o projeto Reflora já enviou sete mil mudas de árvores nativas para a reserva, com a meta ambiciosa de restaurar 200 hectares de áreas degradadas. Além da recuperação ambiental, o Reflora foca em fortalecer a economia local, incentivando a geração de renda para 18 comunidades.
A coleta de sementes e a produção de mudas abastecem viveiros locais e abrem portas para novas oportunidades de negócio, incluindo o fornecimento para a indústria de cosméticos e medicamentos. Como ressalta Paulo Roberto Ferro, “sustentabilidade não é só conservar a floresta, mas também gerar renda para quem mora aqui”.
Para moradores como Edmildo Pimentel Yhepassoni e sua esposa Carmen, o projeto representa a concretização de um sonho e a garantia de um futuro mais promissor para seus filhos e netos. Eles veem no reflorestamento um legado a ser construído e compartilhado, onde o trabalho conjunto pela floresta se traduz em prosperidade e esperança para toda a comunidade.