Príncipe Herdeiro Reza Pahlavi convoca ação global pelo povo iraniano em meio a protestos massivos

Em um chamado contundente por atenção internacional, o príncipe herdeiro exilado do Irã, Reza Pahlavi, dirigiu-se a multidões em Munique, Alemanha, e Toronto, Canadá, no sábado, pedindo apoio à comunidade global para o povo iraniano. As manifestações, que atraíram centenas de milhares de pessoas, ocorreram em paralelo a importantes encontros de líderes mundiais, ampliando a pressão sobre Teerã.

Organizado como um “dia global de ação” por Pahlavi, o evento buscou dar voz aos iranianos diante dos recentes protestos nacionais que, segundo relatos, resultaram em mortes. A mobilização em Munique, com cerca de 250 mil participantes segundo a polícia, superou as expectativas dos organizadores, demonstrando o crescente engajamento da diáspora e seus apoiadores.

A forte presença de bandeiras históricas do Irã, símbolos da monarquia pré-revolucionária, e os gritos por “mudança de regime” ressoaram em Munique e Toronto. Pahlavi, filho do último Xá deposto, que vive em exílio há quase 50 anos, busca se posicionar como uma figura central no futuro político do país, com alguns manifestantes o chamando de “rei”. As informações foram divulgadas pela imprensa internacional.

Apelo por ação diante da repressão e números controversos de mortos

Em uma coletiva de imprensa realizada em Munique, Reza Pahlavi expressou preocupação com a possibilidade de mais mortes caso as democracias se mantenham passivas diante da repressão governamental. “Nos reunimos em um momento de profundo perigo para perguntar: o mundo ficará ao lado do povo do Irã?”, questionou, alertando que a inação envia um “sinal claro a qualquer tirano: mate pessoas suficientes e você continuará no poder”.

A questão dos números de vítimas em protestos recentes no Irã permanece um ponto de tensão. Enquanto a Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, reporta ao menos 7.005 mortos com base em uma rede de ativistas, o governo iraniano divulgou um balanço oficial de 3.117 mortos em janeiro. A Associated Press não conseguiu verificar independentemente esses dados devido a interrupções de internet e comunicações internacionais no Irã.

“Make Iran Great Again” e apoio internacional em Munique

A manifestação em Munique contou com a presença de figuras políticas internacionais, como o senador americano Lindsey Graham, que utilizou um boné com o slogan “Make Iran Great Again”, em referência ao lema político popularizado por apoiadores do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Cartazes com a imagem de Pahlavi, alguns o aclamando como rei, foram exibidos pela multidão.

Os participantes, como Daniyal Mohtashamian, que viajou de Zurique, expressaram o desejo de representar os iranianos que enfrentam a repressão dentro do país. “Há um apagão de internet, e as vozes deles não conseguem sair do Irã”, afirmou Mohtashamian, destacando a dificuldade de comunicação e a necessidade de amplificar essas vozes globalmente.

Mobilizações globais e pressão sobre o regime iraniano

Em Toronto, a polícia local informou que cerca de 350 mil pessoas participaram da marcha como parte do “Dia Global de Ação”, demonstrando a amplitude do movimento. Manifestações menores também ocorreram em outras cidades, como Nicósia, no Chipre, onde cerca de 500 pessoas protestaram em frente ao palácio presidencial com faixas contra o governo iraniano e em apoio a Pahlavi.

O contexto internacional também é marcado pela pressão contínua dos Estados Unidos sobre o Irã. Donald Trump voltou a expressar desejo por uma mudança de regime no país, considerando-a “a melhor coisa que poderia acontecer”. A tensão na região e as questões nucleares iranianas também foram temas centrais em uma conferência anual de segurança em Munique, onde protestos de apoiadores de grupos de oposição ao governo iraniano também ocorreram.