Princesa Mette-Marit da Noruega se declara “manipulada e enganada” por Jeffrey Epstein, lamentando amizade.
Em uma entrevista exclusiva à emissora pública NRK, a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, rompeu o silêncio sobre sua relação com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. A declaração, marcada por arrependimento, surge após a divulgação de milhares de documentos relacionados ao caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
A princesa expressou profundo pesar por ter se aproximado de Epstein, admitindo que se sentiu “manipulada e enganada”. As revelações ocorrem em um momento delicado para a monarquia norueguesa, que enfrenta queda em sua popularidade e escrutínio público crescente sobre os vínculos de figuras proeminentes com o falecido financista.
Os documentos divulgados revelam um contato frequente entre Mette-Marit e Epstein, que se estendeu por anos, mesmo após ele ter se declarado culpado em 2008 por aliciar uma menor de idade. A princesa, que não é acusada de nenhum crime, manteve contato com Epstein entre 2011 e 2014 e chegou a se hospedar em sua residência em Palm Beach por quatro dias em 2013, conforme os registros.
Contatos e E-mails Questionáveis: A Ambiguidade da Relação
Registros divulgados indicam um e-mail de 2011 onde a princesa Mette-Marit menciona ter pesquisado Epstein no Google, comentando que a situação “não parecia muito boa”, acompanhado de um emoji sorridente. Questionada sobre a mensagem durante a entrevista, ela declarou não se lembrar do contexto específico em que a escreveu, adicionando uma camada de incerteza à sua relação com o financista.
A divulgação desses detalhes gerou críticas públicas e pedidos por mais esclarecimentos por parte da princesa. Em fevereiro, Mette-Marit já havia emitido um comunicado pedindo desculpas ao rei Harald V e à rainha Sonja da Noruega, demonstrando a seriedade com que a situação tem sido tratada internamente na família real.
Apoio Familiar e Desafios Pessoais da Princesa Herdeira
Em meio à crise, o príncipe herdeiro Haakon, marido de Mette-Marit, manifestou publicamente seu apoio à esposa, afirmando que a apoia integralmente durante este período desafiador. A princesa herdeira também enfrenta questões de saúde pessoal, com uma doença pulmonar crônica que pode exigir um transplante de pulmão no futuro.
Adicionalmente, a família real enfrenta outro escândalo com o julgamento de Marius Borg Høyby, filho mais velho de Mette-Marit de um relacionamento anterior, acusado de estupro e violência doméstica. Embora ele negue as acusações mais graves, o caso adiciona pressão à imagem da monarquia.
Impacto na Popularidade da Monarquia Norueguesa e Repercussão Internacional
A popularidade da monarquia norueguesa tem sofrido um declínio nos últimos meses. Uma pesquisa recente da Norstat, divulgada pela NRK, indicou que apenas cerca de 60% dos noruegueses apoiam a monarquia, uma queda significativa em relação aos 70% registrados em janeiro. Simultaneamente, o apoio à ideia de transformar a Noruega em uma república aumentou de 19% para 27%.
O escândalo Epstein também ecoa internacionalmente, com repercussões políticas em diversos países europeus. No Reino Unido, o governo de Keir Starmer enfrentou críticas pela nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, devido a seus vínculos com Epstein. Na Eslováquia, um assessor do primeiro-ministro Robert Fico renunciou após a divulgação de e-mails com o financista, e na França, o ex-ministro Jack Lang está sob pressão para deixar a presidência do Instituto do Mundo Árabe.
Investigações e Pressão Política na Noruega
Na Noruega, figuras públicas como a princesa herdeira Mette-Marit e o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland voltaram ao centro das atenções. Parlamentares discutem a possibilidade de abrir uma investigação sobre possíveis vínculos com Epstein, enquanto Jagland também é alvo de uma investigação policial sob suspeita de corrupção, alegações que ele nega veementemente. A situação demanda transparência e respostas claras para restaurar a confiança pública.