Presidente do Irã Desafia EUA com “Sonho de Rendição” e Pede Desculpas por Ataques a Vizinhos em Meio a Intensos Bombardeios

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez uma declaração contundente neste sábado (7), transmitida pela televisão estatal, rejeitando a exigência de rendição incondicional imposta pelos Estados Unidos. Ele qualificou a demanda como um “sonho que eles deveriam levar para o túmulo”, marcando uma postura desafiadora em meio a crescentes tensões na região.

Em um pronunciamento pré-gravado, Pezeshkian também ofereceu desculpas pelos ataques do Irã a países vizinhos. Ele afirmou que Teerã interromperia essas ações, sugerindo que falhas de comunicação internas teriam sido a causa. As declarações surgem em um momento crítico, com intensos ataques iranianos contra nações do Golfo, como Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, enquanto Israel e os EUA intensificam seus bombardeios contra o Irã.

A situação escalou com a aprovação de uma nova venda de armas dos EUA para Israel no valor de US$ 151 milhões, após o presidente Donald Trump declarar que não negociaria com o Irã sem sua “rendição incondicional”. Autoridades americanas alertaram para uma campanha de bombardeio iminente, possivelmente a mais intensa até agora no conflito que já dura uma semana. O embaixador iraniano na ONU assegurou que o país “tomará todas as medidas necessárias” para se defender.

Escalada de Conflito e Ataques em Múltiplas Frentes

Imagens da Associated Press registraram explosões e fumaça sobre Teerã, enquanto Israel anunciava uma nova onda de ataques. Fortes estrondos foram ouvidos em Jerusalém e mísseis vindos do Irã levaram israelenses a buscar abrigos antiaéreos. Relatos imediatos de vítimas por parte dos serviços de emergência de Israel ainda não haviam sido divulgados.

Os Estados Unidos e Israel têm direcionado ataques às capacidades militares, liderança e programa nuclear do Irã. Os objetivos declarados da guerra têm variado, com os EUA por vezes sugerindo a intenção de derrubar o governo iraniano ou promover uma nova liderança interna.

O conflito demonstrou sua crescente abrangência com sirenes soando no Bahrein devido a ataques iranianos. A Arábia Saudita relatou a destruição de drones a caminho de seu campo petrolífero de Shaybah e o abate de um míssil balístico contra a Base Aérea Príncipe Sultan, que abriga forças americanas.

Impacto Econômico e Reações Regionais

Em Dubai, diversas explosões foram ouvidas e as defesas aéreas foram ativadas. Passageiros no Aeroporto Internacional de Dubai foram levados a túneis de trem, e a Emirates suspendeu todos os voos para e de Dubai.

O ministro da Energia do Catar, Saad al-Kaabi, alertou em entrevista ao Financial Times que a guerra poderia “derrubar as economias do mundo”, prevendo paralisação nas exportações de energia do Golfo e um possível aumento do preço do petróleo para US$ 150 o barril. O preço do petróleo bruto de referência dos EUA já havia ultrapassado os US$ 90 o barril na sexta-feira, um marco não visto em mais de dois anos.

Um analista regional, escrevendo para a Al Jazeera, classificou a estratégia do Irã como um “erro de cálculo estratégico de proporções históricas”, argumentando que Teerã estaria transformando o conflito em um confronto com seus vizinhos árabes, algo que Israel não conseguiu fazer sozinho.

Alianças e Apoio Internacional no Conflito

Em resposta aos ataques iranianos, o ministro da Defesa da Arábia Saudita e o chefe do Exército do Paquistão se reuniram para discutir estratégias de contenção. Arábia Saudita e Paquistão, ambos com armas nucleares, possuem um pacto de defesa mútua.

Informações de inteligência americanas indicam que a Rússia teria fornecido ao Irã dados que poderiam auxiliar em ataques contra ativos americanos na região, marcando um potencial envolvimento de Moscou no conflito. O presidente Trump, por sua vez, reiterou sua posição de que não haverá acordo com o Irã, exceto por “rendição incondicional”, prometendo reconstruir o país após a rendição e a escolha de “líderes grandes e aceitáveis”.

Vítimas e o Futuro da Guerra

Os combates já resultaram em pelo menos 1.230 mortes no Irã, mais de 200 no Líbano e cerca de uma dúzia em Israel, além de seis soldados americanos. O presidente iraniano mencionou esforços de mediação por parte de “alguns países”, sem detalhar.

Israel informou ter bombardeado um extenso bunker subterrâneo iraniano. Novas informações sugerem que uma explosão mortal em uma escola no Irã, em 28 de fevereiro, pode ter sido causada por ataques aéreos dos EUA, embora nenhum dos países tenha assumido responsabilidade. O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, relatou confrontos com forças israelenses no Líbano, onde ataques israelenses resultaram em centenas de mortos e feridos, com civis sendo deslocados de suas casas.