Por dentro do mundo dos ‘preppers’, as pessoas que se preparam para o colapso da civilização

Quando se fala em ‘preppers’, a imagem que surge é muitas vezes de cenários apocalípticos, como bunkers nucleares ou kits para o fim do mundo. No entanto, a realidade por trás desse movimento global é mais pragmática e voltada para ameaças muito mais concretas.

O prepping, em tradução livre, refere-se à preparação para emergências, e seus praticantes, os preppers, são indivíduos que se organizam para a eventualidade de um colapso social, parcial ou total. Isso geralmente envolve a acumulação de suprimentos básicos e o aprendizado de habilidades essenciais para a autossuficiência.

Diferente dos estereótipos frequentemente associados aos preppers, muitos deles são pessoas comuns, de diversas origens e espectros políticos, que buscam segurança e resiliência diante de um mundo percebido como cada vez mais instável. Conforme informações divulgadas por fontes que cobrem o tema, o movimento no Reino Unido, por exemplo, apresenta características distintas das retratadas na mídia americana.

Ameaças Reais e Preparações Pragmáticas

Leigh Price, um prepper do País de Gales, desmistifica a ideia de que o movimento se dedica apenas a cenários fantasiosos. Ele enfatiza que as preparações são focadas em ameaças mais palpáveis, como ataques cibernéticos que poderiam paralisar a rede elétrica nacional, ou instabilidades sociais e conflitos entre nações. ‘O mundo está ficando um pouco mais perigoso’, comenta Price, ressaltando a importância de estar preparado para o inesperado.

A preparação, segundo Price, não se limita a ter um kit de primeiros socorros e uma barraca. Um dos maiores equívocos, ele aponta, é pensar em fugir em caso de crise. A estratégia mais eficaz seria defender o próprio local ou se deslocar para um ambiente mais seguro, como a casa de um amigo. A ideia é ter o suficiente para sobreviver por semanas sem depender de supermercados ou do governo.

Price, que administra uma loja especializada em equipamentos para preppers e oferece cursos de sobrevivência, avalia que ter suprimentos básicos como água, alimentos não perecíveis e um bom kit de primeiros socorros é um passo fundamental. Ele mesmo, acostumado a compras maiores por ter crescido em área rural, obteve uma pontuação de 7/10 em um teste de preparação, indicando um bom nível de autonomia.

Prepping como Bom Senso e Comunidade

Para muitos preppers, a preparação é vista como uma extensão do bom senso, especialmente após eventos como a pandemia de Covid-19. A necessidade de autossuficiência se torna mais evidente quando serviços básicos são interrompidos, como no caso de um apagão que afeta o acesso à água potável, especialmente em áreas rurais que dependem de poços.

A comunidade também é um pilar importante no universo do prepping. Contrariando a imagem do ‘lobo solitário’, muitos preppers, como Lloyd, que gerencia uma página sobre o tema, ressaltam a importância de grupos e da colaboração. ‘Prosperamos como espécie humana vivendo juntos; ninguém vai sobreviver sozinho fugindo para a natureza’, afirma Lloyd. Encontros de preppers, que antes eram raros, agora acontecem com mais frequência, fortalecendo laços e o intercâmbio de conhecimentos.

A habilidade de realizar tarefas básicas, como fazer fogo ou identificar elementos naturais para acendê-lo, confere aos preppers um sentimento de confiança e controle. Não se trata de buscar diversão, mas de aumentar a capacidade de lidar com situações adversas e de se sentir mais seguro e consciente do ambiente. O lema ‘é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter’ resume a filosofia por trás dessa prática que ganha cada vez mais adeptos.