Organização do Passo a Paço mobilizou apenas 120 profissionais, menos da metade do contingente mínimo recomendado para esse tipo de evento

Manaus – A gestão do prefeito David Almeida (Avante) transformou o “Passo a Paço 2025” em um espetáculo cultural que movimentou o Centro Histórico entre os dias 5 e 7 de setembro, mas deixou de lado um aspecto básico: a segurança em saúde para o público. Apesar do anúncio oficial de 600 mil pessoas ao longo das três noites de festival, a Prefeitura mobilizou apenas 120 profissionais de saúde, número muito abaixo do recomendado para grandes eventos.

Segundo especialistas, a média ideal seria de um profissional para cada mil a 2 mil pessoas, dependendo do risco do evento, clima e consumo de álcool e drogas. Isso significaria ao menos 300 profissionais para garantir um atendimento minimamente seguro. No entanto, a Prefeitura optou por menos da metade desse contingente, resultando em uma média de um profissional para cada 5 mil pessoas.

O balanço divulgado pela própria Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) aponta 234 atendimentos durante o evento. A matemática, porém, mostra um dado preocupante: foram 2.564 pessoas para cada atendimento registrado, sem considerar casos ignorados no relatório oficial.

Entre os atendimentos informados, houve 44 episódios de fadiga, 32 de hipertensão, 18 relacionados ao consumo de álcool ou drogas, 14 crises de ansiedade, 20 casos de mal-estar geral e 11 remoções hospitalares pelo Samu.

Mas a lista oficial da Prefeitura deixou de fora situações relevantes. Durante tumultos do lado de fora, guardas municipais usaram spray de pimenta contra o público, provocando atendimentos de urgência que não constam no balanço. A cantora Márcia Siqueira também precisou de socorro após passar mal nos bastidores e, sem assistência médica nas imediações, foi levada por amigos a um hospital.

Outro ponto crítico foi a estrutura reduzida de apenas três unidades médicas para cobrir 17 palcos espalhados pela área central da cidade. Na prática, isso significa um posto de atendimento para cada cinco a seis palcos, distância que compromete o tempo de resposta em emergências.

A negligência da Prefeitura deixa claro que a prioridade de David Almeida foi transformar o Passo a Paço em vitrine política e turística, enquanto o básico, garantir saúde e segurança ao público, foi tratado como detalhe. A gestão municipal insiste em divulgar o festival como “um sucesso”, mas os números e os relatos mostram que, em termos de responsabilidade com a vida das pessoas, o evento revelou o despreparo e a omissão do Executivo.