Manaus – A recém-inaugurada estrutura do Viaduto Rei Pelé, na zona leste da capital amazonense, já expõe o descaso da Prefeitura de Manaus com a segurança da população. Um bueiro sem tampa, aberto há pelo menos quatro dias no trecho da avenida Itaúba para quem segue pela avenida Itaituba, bairro São Jorge, tem colocado motoristas e motociclistas em constante perigo.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o risco. “Viaduto Rei Pelé aqui, pessoal. Um buracão. Cuidado, gente. Está perigoso. Botem nos grupos aí. Está perigoso. Está guardando alguém morrer aí”, alerta um homem no vídeo que denuncia a situação.
A gravidade do problema vai além do risco de acidentes: escancara a contradição entre o cenário das ruas e os gastos milionários da gestão do prefeito David Almeida (Avante). Em 2023, a Prefeitura firmou contrato de R$ 58,1 milhões com a empresa Construban Serviços e Construções Ltda para fornecimento e instalação de 4.875 tampas e grelhas de bueiros, confeccionadas em fibra de vidro e resina de poliéster.

Segundo o despacho de homologação publicado no Diário Oficial do Município em 20 de outubro de 2023, a Construban venceu os três lotes da Concorrência Pública nº 004/2023-CML-PM, cada um avaliado em mais de R$ 19,3 milhões. Em 2025, com o 1º termo aditivo, já foram liquidados R$ 1,6 milhão desse contrato.

Enquanto os números avançam nos papéis oficiais, na prática a população enfrenta buracos abertos em vias recém-inauguradas, que transformam obras públicas em armadilhas. A denúncia sobre o viaduto Rei Pelé reforça um contraste cada vez mais evidente: a distância entre o volume de recursos que sai dos cofres municipais e a realidade de quem circula diariamente pelas ruas de Manaus.